Monica Almeida/The New York Times
Monica Almeida/The New York Times

Transporte de carga já sofre efeitos da guerra comercial

Guerra comercial que eclodiu com as decisões tomadas pelo governo americano de Donald Trump terá consequências mais graves que o que o mercado avalia, apontam relatórios

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 10h55

GENEBRA - As ameaças protecionistas e a imposição de novas medidas comerciais pelo governo de Donald Trump já são sentidas no transporte de carga. Nesta quarta-feira, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) revelou números que mostram uma desaceleração importante da expansão de cargas pelo mundo. 

Em junho de 2018, a expansão foi de apenas 2,7%, em comparação ao mesmo período de 2017.  "Isso mantém a desaceleração do crescimento de carga que começou mais cedo em 2018", indicou a entidade, num comunicado. No primeiro semestre do ano, a taxa total de expansão foi de 4,7%, "menos da metade da taxa de crescimento em 2017". 

De acordo com a IATA, existe uma "desaceleração estrutural nas condições do comércio global". Isso teria ficado claro com índices de encomendas que apontam para os resultados mais fracos desde 2016. "As ordens de exportação de fábricas tem sido negativas na China, Japão e EUA", aponta. 

"Ainda esperamos um crescimento do transporte aéreo de carga de 4% ao longo do ano", disse o CEO da IATA, Alexandre de Juniac. "Mas a deterioração do comércio mundial é uma preocupação real", disse. 

"Enquanto o transporte aéreo é de alguma forma isolado da atual rodada de barreiras tarifárias, uma escalada da tensão comercial que resulte em uma produção local e consolidação das cadeias de produção globais poderia mudar a previsão de forma significativa para pior", alertou. 

"Guerras comerciais jamais geram vencedores", insistiu o CEO. "Governos precisam se lembrar que a prosperidade vem do incentivo ao comércio, não criando barricadas às economias", completou. 

A entidade que reúne as maiores empresas aéreas do mundo admite que o ponto mais alto do ciclo de expansão já foi superado. "A questão chave é saber a dimensão da queda estrutural para o crescimento do transporte de cargas, em especial no contexto de medidas protecionistas cada vez maiores", alertou o grupo. 

Tensão comercial é mais preocupante do que parece

A guerra comercial que eclodiu com as decisões tomadas pelo governo americano de Donald Trump terá consequências mais graves que o que o mercado hoje avalia. O alerta faz parte de um informe preparado pela empresa de investimentos, PIMCO, com base em avaliações prestadas por alguns dos maiores nomes das finanças da última década. 

O informe é assinado por Ben Bernanke, ex-presidente do FED, Jean Claude Trichet, ex-presidente do Banco Central Europeu, Gordon Brown, ex-primeiro-ministro britânico e outros nomes de peso da política internacional. 

O documento que serve de alerta aos investidores deixa claro; a tensão é mais preocupante que parece. 

Para eles, existe um "maior risco de deterioração no entorno comercial entre EUA e China que o que sugerem os preços dos mercados". O grupo ainda prevê "tensões prolongadas e a possibilidade de que se intensifiquem e recrudesça de forma imprevista". Mas também alerta que "qualquer desafio ao modelo de crescimento do capitalismo de estado da China encontrará uma firme resistência". 

Para o grupo, Trump não é o único responsável pela tensão e que existiriam fatores "em ambos os lados para que prossigam as hostilidades e atitudes negativas no âmbito comercial". 

Não se nega que poderá haver "um desacordo entre EUA e China que poderá levar o mundo à beira do desmantelamento do sistema de comercial internacional". 

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