Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Transporte de dados em contêiner não faz sentido, diz analista

Segundo especialista em Exploração de petróleo, transporte de informações costuma ser feito por helicópteros

Kelly Lima, da Agência Estado, e Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

16 de fevereiro de 2008 | 16h47

O transporte de dados importantes e estratégicos da Petrobras em notebooks no interior de contêineres despertou, no mínimo, a curiosidade de especialistas e técnicos do setor. Segundo um técnico da área de Exploração de empresa petroleira que opera no Brasil, o furto de quatro notebooks e dois discos rígidos da estatal que veio à público esta semana "não faz o menor sentido" se confrontado com o esquema de segurança de praxe organizado pela empresa para o transporte desses dados. "É comum em todas as unidades que estão sendo prospectadas ou passando por testes semelhantes ao que a Halliburton estava fazendo na Bacia de Santos, que o transporte dos principais dados seja feito via helicóptero, tão logo sejam encerradas as atividades na plataforma", disse a fonte ao Estado. As informações sigilosas furtadas da Petrobras referem-se, segundo o Estado apurou, à descoberta gigante de gás natural de Júpiter, na Bacia de Santos, anunciada pela estatal no dia 21 de janeiro. Segundo fontes do setor, são dados sobre a tecnologia de perfuração de poços que vem sendo desenvolvida pela companhia em suas atividades em busca de reservatórios abaixo da camada de sal, província descoberta em 2006 e considerada pela consultoria americana PFC Energy como "a mais excitante notícia exploratória do ano". "São informações que podem interessar tanto a uma empresa petrolífera quanto a uma de perfuração, porque dá detalhes sobre a técnica de perfuração que é utilizada nesse tipo de poço em águas ultraprofundas", comentou o técnico. As descobertas da estatal abaixo da camada de sal (Júpiter e Tupi) ficam numa profundidade superior a seis mil quilômetros. Ainda segundo a fonte, o tipo de dado que estava sendo coletado pela Halliburton para a Petrobras - sobre o cálculo do volume de hidrocarbonetos identificados no reservatório, tipo de fluido, pressão, espessura e porosidade da rocha - tradicionalmente é armazenado em rolos de fita que, após coletados, são levados de helicóptero diretamente para a sede da empresa, onde são lidos pelos especialistas. "Uma sonda do tipo que a Halliburton estava usando gera dados de um gigabyte por minuto de operação", disse o técnico, lembrando que "não haveria motivos para que a Petrobras deixasse este tipo de dados parado num porto, ou esperasse 12 dias para recebê-los". Na opinião de um ex-funcionário da estatal, que atuava na área de Exploração da empresa, parte desses dados é copiada nos notebooks que estavam sendo utilizados pelos técnicos na área, mas os dados ficam - ou deveriam ficar - totalmente protegidos com senhas de segurança, assinatura digital e até criptografados, para evitar que caiam nas mãos de terceiros. Esse ex-funcionário explicou ao Estado que quando operações semelhantes às da Halliburton ocorrem, o contêiner funciona em alto-mar como uma espécie de escritório de base da empresa. Ao fim das operações, o contêiner com todo o material utilizado pelos técnicos volta à terra firme por navio, enquanto os técnicos seguem de helicóptero. "O próprio fato de um funcionário não levar consigo o lap top é uma medida de segurança para evitar o vazamento de informações", comentou. Nem a Petrobras ou a Halliburton estão comentando o assunto, que está passando por investigações da Polícia Federal.

Tudo o que sabemos sobre:
PetrobrasFurto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.