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Transporte falho tirou R$ 1,6 bi do MT

Esse valor teria virado renda para produtores se a estrutura de escoamento da safra no Centro-Oeste brasileiro fosse azeitada como a dos EUA

Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2013 | 02h15

Como o Brasil produz grãos principalmente para a exportação, quanto mais longe uma fazenda estiver do mar, maior será o custo do transporte para o produtor. Não é difícil perceber que o Estado mais punido nesse caso é justamente o coração da produção de grãos do Brasil, o Mato Grosso.

Pelos cálculos de Luiz Nery Ribas, diretor técnico da Associação de Produtores de Soja e de Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja-MT), o custo local é alto. Para transportar uma saca de soja de Sorriso, um centro produtor localizado no coração do Estado, distante quase 2 mil km do mar, até o Porto de Santos, será preciso arcar com um custo de frete de quase R$ 8,60 por saca transportada.

Nos Estados Unidos, os fazendeiros de Iowa, Illinois e outros Estados agrícolas do Meio-Oeste americano que quiserem exportar os seus grãos pelos portos do Golfo do México vão desembolsar uma parcela ínfima desse valor: apenas US$ 1,20, ou cerca de R$ 2,80.

"Na safra passada, o Mato Grosso exportou cerca de 3 milhões de toneladas de soja", diz Ribas. "Isso significa que os produtores do Estado deixaram de receber, ou perderam mesmo, cerca de R$ 1,6 bilhão para cobrir os onerosos custos do frete rodoviário - foi dinheiro subtraído da renda da agricultura e da economia local que poderia ter sido revertida para o comércio e para a modernização da atividade."

Segundo Ribas, essa conta vai subir na próxima colheita, porque já se espera uma nova safra recorde. "Teremos mais gastos desnecessários com uma logística falha."

Na virada de 2012 para 2013, mais uma safra recorde congestionou a entrada rumo aos portos como poucas vezes se viu na história do embarque de grãos. As filas foram tão persistentes e longas que a direção dos principais portos exportadores de grãos, Santos e Paranaguá, criaram uma regra nova para receber a carga: só aceitam caminhões que fizerem o agendamento pela internet.

"A medida pode até reduzir a exposição dos portos a críticas na mídia, mas não vai resolver o problema porque a soja vai ser estocada nos caminhões do mesmo jeito e ficar em algum lugar das estradas", diz Roberto Pavan, presidente da consultoria Macrologística,

Prioridade. Na avaliação de Pavan, o prejuízo com a falta de infraestrutura de transporte poderia ser um pouco menor se os produtores tivessem armazéns para estocar a produção e poder escoar as safras gradativamente ao longo do ano. "Uma boa estrutura de silos evitaria a disputa pelo caminhão durante a colheita, o que pressiona o preço dos fretes e congestiona as estradas", diz Pavan. "Como duplicar rodovias, construir ferrovias e ampliar portos são obras de longo prazo, a prioridade do governo para contornar a falta de infraestrutura no transporte, pelo menos no curto prazo, deveria ser construir o maior número possível de silos."

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