REUTERS/Umit Bektas
REUTERS/Umit Bektas

Trégua na crise turca faz Bolsa fechar em alta de 1,43% e dólar recuar

Bolsa fechou o pregão em alta de 1,43% e dólar caiu 0,68%, cotado a R$ 3,8620

Simone Cavalcanti e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2018 | 09h03
Atualizado 14 Agosto 2018 | 18h28

A menor tensão em relação à instabilidade financeira da Turquia permitiu a melhora dos mercados acionários nesta terça-feira, e a lira turca apagou as perdas da véspera ante o dólar ao subir 9,06%. Outras moedas emergentes, como o real, também se valorizaram ante a divisa americana. Por aqui, o dólar caiu 0,68%, a R$ 3,8620, depois de ter subido mais de 3% em três sessões consecutivas. Já a Bolsa, pelo segundo dia seguido, subiu mais de 1%. Nesta sessão, ganhou 1,43%, aos 78.602,11 pontos.

Diante do apaziguamento das tensões imediatas com as repercussões além-fronteiras da crise cambial na Turquia, a lira turca apagou nesta terça todas as perdas do dia anterior em relação ao dólar. O respiro momentâneo vem não só na esteira de pedidos de associações empresariais turcas ao governo por mais independência ao banco central e uma solução amistosa para a rusga diplomática com os Estados Unidos como também da avaliação de que não há risco material de contágio de ativos de bancos americanos e europeus.

Como fruto dessa interpretação, ficou reforçada a crença na firmeza da atual dinâmica de aumento na taxa de juros pelo banco central americano, que deu impulso às ações do setor financeiro em Nova York e aos juros dos Treasuries. Também o dólar demonstrou vigor e, apesar da correção da lira turca, marcou alta em relação a outras moedas principais, a exemplo do euro, que continua penalizado pela incerteza orçamentária na Itália.

Dólar tem recuo frente ao real com recuperação da moeda turca

Depois de ter subido mais de 3% em três sessões consecutivas de alta, o dólar encontrou espaço para uma correção e fechou em baixa de 0,68% ante o real, cotado a R$ 3,8620 no mercado à vista. Os negócios foram reduzidos e somaram US$ 626,1 milhões. O gatilho para as ordens de venda veio do exterior, onde a terça-feira foi de recuperação da lira turca e outras moedas emergentes, em meio a esperanças de um arrefecimento da crise na Turquia. A cautela, no entanto, deve limitar uma correção mais forte, uma vez que o noticiário eleitoral tende a se intensificar novamente até o final da semana.

A sessão de negócios foi marcada por alternância de sinais, resultante do clima ainda de incerteza e prudência. Entre a máxima e a mínima do dia, o dólar à vista oscilou de R$ 3,9034 (+0,38%) a R$ 3,8592 (-0,75%).

"Apesar da maior tranquilidade hoje, o cenário continua conturbado e não há como fazer um prognóstico. O mercado vai continuar a operar em 'stand by', aguardando o desenrolar da crise externa e do cenário eleitoral brasileiro, que também não nos permite avançar", disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

Outro gerente de câmbio ouvido pelo Broadcast, que não quis se identificar, afirmou que a queda das cotações foi gerada principalmente pela desmontagem de posições de tesourarias bancárias, num movimento de realização de lucros recentes. Mais cedo, também exerceram pressão de baixa as vendas de exportadores, aproveitando os preços mais favoráveis, depois que o dólar chegou a superar os R$ 3,92 na véspera.

Bolsa tem recuperação em dia de melhora em humor de mercados externos

A Bolsa deu sequência a mais um dia de recuperação, desta vez lastreada na alta registrada em suas pares em Nova York e também nos índices de ADR (American Depositary Receipt) de empresas brasileiras negociados por lá. Durante o pregão, o índice oscilou pouco mais de mil pontos, da abertura aos 77.498,61 pontos para encerrar a sessão de negócios aos 78.602,11 pontos - com ganhos de 1,43%.

"Quando eclodiu a crise turca vimos certo exagero nas quedas por aqui e agora há esse movimento de recuperação que se dá em linha com o desempenho de ações das companhias brasileiras negociadas nas bolsas dos Estados Unidos", diz o operador da mesa institucional da Renascença Corretora Luiz Roberto Monteiro, ressaltando que tanto Brasil Titans quanto o EWZ subiam mais de 2% pouco antes do fechamento do pregão por aqui.

As ações mais negociadas da Bolsa, as 'blue chips', apontaram forte alta na sessão desta terça, 14. O destaque veio do bloco financeiro onde os papéis dos bancos tiveram ganhos expressivos, com Banco do Brasil ON subindo 3,45%, seguido de Itaú Unibanco (2,07%), Bradesco (1,70%) e as units do Santander (0,22%). Vale ON fechou em alta de 0,92% a despeito da queda do minério de ferro no porto de Qingdao, na China. Petrobras, embora tenha tocado no positivo em vários momentos, acabou fechando em baixa (0,45% PN e 0,10% ON) seguindo as cotações dos contratos futuros de petróleo no mercado internacional.

Na avaliação de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Nova Futura, o valor em dólar do Ibovespa foi para um patamar bastante atrativo. "A partir desse nível parece que os investidores estão mais propensos a se posicionar em Brasil, ainda mais com o alívio que se vê hoje no mercado global", afirmou.

Silveira complementa dizendo que, com menor tensão geopolítica e, a partir do momento em que os investidores conseguem qualificar o problema diferenciando um emergente de outro (Turquia do Brasil), eles voltam a se posicionar em Brasil. "O ambiente para esses ativos está bom. Após uma boa safra de balanços por aqui, temos fundamento para essa recuperação."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.