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Três a zero ou zebra

Julgamento do TRF4 vai influenciar o desempenho dos preços dos ativos brasileiros

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2018 | 05h00

O resultado que interessa aos investidores do julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a sua condenação não é jurídico, mas sim político: o placar poderá causar maior ou menor estrago à imagem do petista, à capacidade dele de se manter à frente nas pesquisas de intenção voto e, por tabela, à viabilidade da sua candidatura às eleições presidenciais de 2018.

Apesar de o julgamento do TRF-4, seja qual for seu desfecho, não ser a palavra definitiva sobre a candidatura do petista às eleições presidenciais de 2018, o mercado financeiro vem se posicionando como se assim fosse. Ou seja, independentemente do placar, será impossível dizer ao final do julgamento que Lula não poderá mais ser candidato de maneira alguma.

Os sucessivos recordes do Ibovespa e os recuos da cotação do dólar frente o real nas últimas semanas refletem a percepção de que um placar unânime de 3 votos a favor da condenação fecharia todas as opções jurídicas para a candidatura de Lula e, portanto, consolidaria de vez a probabilidade de o vencedor das eleições presidenciais ser de algum partido de centro-direita.

Do ponto de vista jurídico, Lula poderá recorrer a diferentes instâncias da Justiça brasileira de uma decisão do TRF-4 desfavorável a si, quer seja o placar dividido (2 a 1) ou o unânime.

O que acontecerá com os preços na Bolsa brasileira e com a cotação do dólar ante o real quando cair a ficha dos investidores de que a incerteza jurídica sobre a candidatura dele será resolvida somente às vésperas da eleição, em 7 de outubro, caso Lula decida esgotar todos os recursos à mão para evitar a sua inelegibilidade?

O que vai influenciar o desempenho dos preços dos ativos brasileiros é o desfecho político do julgamento do TRF-4.

Na visão de dois gestores de fundos de investimentos sediados em Londres, a narrativa de Lula de se defender das acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes perante os seus eleitores será muito mais forte se o placar for dividido do que uma condenação por unanimidade.

Se os juízes do TRF-4 condenarem Lula, mas se mostrarem rachados sobre a culpa dele, o PT e seus correligionários ganhariam fôlego extra para questionar o resultado do julgamento, tentando mostrar um complô político para alijar o ex-presidente da disputa em 2018.

Uma condenação unânime reforçaria, por outro lado, o estrago à imagem do PT e do ex-presidente desde o início da Lava Jato, que resultou, entre outros efeitos, numa derrota amarga do partido nas eleições a prefeito das maiores cidades brasileiras em 2016.

Assim, mesmo sem ser a palavra final sobre se Lula irá concorrer ou não às eleições presidenciais de 2018, o desfecho do julgamento do TRF-4 será um catalisador importante nos preços dos ativos.

Em 2017, por exemplo, eventos políticos foram os principais gatilhos de correção nas bolsas latino-americanas, segundo lembrou o Bank of America Merrill Lynch em relatório a clientes. A maior queda de um dia na Bolsa brasileira no ano passado aconteceu no pregão seguinte à divulgação da notícia sobre a gravação do presidente Michel Temer pelo dono da JBS, Joesley Batista. No Chile, o maior tombo (-7% em dólar) do principal índice acionário local aconteceu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.

Para um dos investidores estrangeiros ouvidos por esta coluna, com um placar de 3 a 0 no julgamento do TRF-4 contra Lula, é provável que a Bolsa, o real e outros ativos brasileiros sigam tendo desempenho acima dos seus pares emergentes, como vem acontecendo desde o fim do ano passado. Isso, obviamente, se o cenário externo – com os bancos centrais dos maiores países desenvolvidos elevando os juros em ritmo gradual – continuar benigno, diz ele, que pediu para não ser identificado.

Uma decisão contra Lula, mas com placar dividido, deixará os ativos brasileiros com desempenho em linha com os de outros países emergentes, na melhor das hipóteses. Nesse caso, muitos fundos que mantém o Brasil com peso “overweight” (acima da média) podem cortar a exposição ao País. E se Lula for absolvido pelo TRF-4? “Aí, vai ser um Deus nos acuda”, diz o investidor.

*É COLUNISTA DO BROADCAST

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