Três bancos rebaixam papéis da OGX

Relatórios indicam desconfiança do mercado em relação ao cumprimento de metas de produção da empresa de petróleo do bilionário Eike Batista

Vinicius Neder e Beth Moreira, da Agência Estado,

28 de junho de 2012 | 22h35

RIO/SÃO PAULO - Os bancos JPMorgan, Itaú BBA e HSBC rebaixaram perspectivas para as ações da OGX Petróleo. Os relatórios dos bancos de investimento demonstram a desconfiança do mercado em relação à petroleira do Grupo EBX, sentimento que se espalha para as outras empresas do bilionário Eike Batista.

Desde o anúncio, pela OGX, na noite de terça-feira, de metas de produção abaixo do esperado no campo Tubarão Azul (antigo Waimea), já foram pelo menos quatro revisões por analistas de mercado - na quarta-feira, foi a vez do Bank of America Merrill Lynch.

O HSBC, conforme relatório assinado por Anisa Redman, revisou o preço-alvo de R$ 22,00 para R$ 16,00, mas manteve recomendação "overweight" (desempenho acima da média do mercado) para as ações da companhia no médio prazo.

Já o JPMorgan rebaixou a recomendação "overweight" para "neutral" (desempenho em linha com o mercado), cortando o preço-alvo do papel para R$ 7,50, ante os R$ 18,00 de antes. Em relatório, o banco explica que, após o anúncio de vazão do campo de Tubarão Azul esta semana, refez suas projeções para os poços da empresa.

O documento, assinado pelos analistas Caio Carvalhal e Felipe dos Santos, diz que após o anúncio da fraca produtividade, de 5 mil barris de óleo equivalente por dia, o banco agora estima uma média de produção para o total de poços da OGX para 6 mil barris de óleo equivalente por dia. "Além disso, reduzimos o volume para Tubarão Azul para cerca de 70 milhões de barris de óleo equivalente, ante 140 milhões previstos anteriormente", escreveram os analistas.

Segundo operadores do mercado, além da interdependência entre os negócios das empresas do Grupo EBX, há um abalo na credibilidade, que se espalha por todo o grupo, provocando o "efeito cascata" da OGX para as demais companhias.

O executivo de uma corretora sediada no Rio, que preferiu não se identificar, vê um sentimento de "frustração" entre os investidores em relação à OGX. Os relatórios dos bancos de investimentos refletem isso e, sobretudo as recomendações das instituições globais, têm maior influência sobre investidores estrangeiros.

Como a petroleira é a principal companhia do grupo de Eike, as demais empresas também sofrem. A credibilidade fica afetada porque a OGX tem, recorrentemente, deixado de cumprir metas apresentadas ao mercado. O estresse dos investidores é ainda maior por causa do cenário turbulento nas bolsas. "Talvez o guidance (metas) que a empresa passe seja um pouco esticado demais", disse Rogério Freitas, sócio da Teórica Investimentos.

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