Três maiores bancos têm 56% dos depósitos no País

Fortalecidos pelo maciço aporte de fundos públicos e pela política de aquisição de outras instituições em dificuldades durante a crise financeira global, os grandes bancos americanos passaram a concentrar cada vez mais poder de fogo. De acordo com recente reportagem do Wall Street Journal, em conjunto, o Bank of America, o J.P. Morgan Chase e o Wells Fargo passaram a deter 33% do total de depósitos do sistema financeiro dos Estados Unidos. Caso se acrescente o Citigroup a essa lista exclusiva, o resultado é ainda mais impressionante: os quatro gigantes são responsáveis pelo dobro dos empréstimos e outros ativos dos 46 maiores bancos restantes do país. Em conjunto, eles detêm sob sua guarda nada menos de US$ 7,7 trilhões. Essa dinheirama equivale a 4,5 vezes o PIB brasileiro de 2009.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

Inédito para os padrões americanos, esse grau de concentração está longe, muito longe de rivalizar com o vigente no sistema financeiro brasileiro. Como se pode verificar na tabela, elaborada pela consultoria Austin Rating, de São Paulo, os três maiores bancos nacionais - Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco- detêm 56,3% do R$ 1,26 trilhão de depósitos existente em dezembro de 2009. Em 1994, a participação dos três maiores era de 37,2%. O que também quer dizer que a concentração bancária americana está 15 anos atrasada em relação à do Brasil no que se refere ao pelotão de frente.

Quando se amplia a lista para os cinco maiores do País, com o acréscimo do Santander e da Caixa Econômica Federal, a concentração cresce para 78,9%. Ou seja, R$ 7,8 em cada R$ 10 depositados na rede bancária nacional está em poder dos grandalhões. Quando se fala dos 20 maiores, esse grau chega 93,6%. Trocando em miúdos, cabe às 139 instituições restantes disputar ferozmente uma minguada fatia de 6,4% dos depósitos totais.

A concentração bancária no Brasil não se limita ao volume de dinheiro em poder dos mais fortes. O próprio número de bancos vem diminuindo aceleradamente nas últimas décadas. Em 1964, havia 336 bancos em atividade no mercado. Em 1994, esse número já caíra para 232. A partir daí, como resultado da estabilização da moeda, privatização de bancos estatais, a abertura ao capital estrangeiro, entre outros fatores, o contingente foi se reduzindo até chegar aos 159 bancos contabilizados em dezembro de 2009. Só para comparar: nos Estados Unidos, o número de bancos comerciais está na casa de 8.600. "Nos Estados Unidos, a despeito de todas as falhas regulatórias que vieram à tona recentemente, sempre houve uma preocupação em disciplinar a participação no bolo de depósitos e empréstimos", afirma Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating. "Durante muito tempo, os bancos estavam impedidos de abrir agências e captar depósitos fora de seus Estados de origem."

Segundo Santacreu, uma das consequências da concentração elevada, do ponto de vista do consumidor, costuma ser a diminuição da competição no setor, traduzida em taxas menores para suas aplicações financeiras e o pagamento de taxas maiores nos empréstimos tomados. "Graças a isso, os bancos maiores conseguem operar com taxas de spread mais altas", afirma.

VIRADA

Epson quer parar de andar de lado no Brasil

A Epson, especializada em equipamentos eletrônicos, vai implementar um plano de expansão com o objetivo de triplicar o seu faturamento no Brasil para cerca de US$ 900 milhões até 2013. A ideia é dobrar a participação da subsidiária brasileira, atualmente em torno de 3% do faturamento mundial, para 6% nos próximos três anos. A estratégia, que foi desenhada pela matriz japonesa no final de 2009, será tocada pelo executivo Paulo Ferraz, contratado no começo deste ano para a presidência da Epson. Ex-vice-presidente da Philips no Brasil, Ferraz diz que a matriz se cansou de andar de lado no Brasil e decidiu adotar uma posição agressiva. Segundo ele, a meta ambiciosa assustou parte dos antigos funcionários: "Alguns decidiram se demitir."

Entre as ações do plano, está o ingresso na área educacional, com a comercialização de um projetor de alto desempenho, que pode ser utilizado como lousa em salas de aula. Além do foco na educação, a Epson pretende aumentar a venda de impressoras para empresas de saúde e financeiras.

SUCESSÃO

Francês perde terreno na direção do Carrefour

A indicação do executivo Luiz Fazzio para a diretoria geral do Carrefour não chegou a ser exatamente uma surpresa nos altos escalões do grupo no Brasil. Com passagens pelo comando de gigantes do varejo como Pão de Açúcar e C&A, Fazzio fora contratado no final de 2009 para ocupar a diretoria executiva da estratégica divisão de supermercados do Carrefour, que faturou R$ 25 bilhões no País em 2009. Surpresa mesmo foi a saída de seu antecessor, que não apenas deixou seu posto, como se desligou do grupo, eufemisticamente em busca de "novos desafios".

A entrada de Fazzio, o primeiro brasileiro no comando do Carrefour, em 32 anos de atividades da subsidiária, representa uma redução maior da representação francesa na direção. Dos oito membros da diretoria executiva, apenas Eric Reiss, responsável pela área de hipermercados, é expatriado da matriz.

BEBIDAS

Energéticos e sucos puxam as vendas da Vonpar

A gaúcha Vonpar, dona da franquia da Coca-Cola no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, registrou crescimento de 77,1% nas vendas de suas marcas de energéticos Burn e Gladiator no segundo trimestre do ano sobre igual período de 2009. As vendas dos sucos Del Valle Mais, líder do mercado com 26,5% de market share, também cresceram 78% entre abril e junho. No caso dos sucos, a diversificação de formatos - a empresa lançou a embalagem de 750 ml - é uma das principais razões do aumento das vendas. Com os bons resultados, aos quais se soma o crescimento de 10% das vendas de Coca-Cola, Augusto Cesar Parada, presidente da Vonpar, estima aumentar em 15% o faturamento da empresa, para R$ 1,75 bilhão este ano. F

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