Trevisan aposta em forte queda da taxa de juros

Até o final do ano, a taxa Selic deverá cair para abaixo de 20% e o presidente Lula conseguirá aprovar as reformas previdenciária e tributária, abrindo o caminho para uma verdadeiro ajuste fiscal, o que não conseguiu ser feito pelo governo anterior. Quem diz isso é o consultor de empresas, Antoninho Marmo Trevisan, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e que participou da campanha de Lula. "Eu aposto que taxa de juros, até o final do ano, vai estar abaixo de 20%", garantiu, em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News. Trevisan criticou a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), de manter em 26,5% a taxa Selic, com a eliminação do viés de alta. Segundo o consultor, a manutenção dos juros neste patamar só está servindo para impedir os investimentos no setor produtivo, acrescentando que quem gosta dessa situação são os banqueiros. Ele lembrou que a taxa atual vem levando muitas empresas à concordata e à falência, o que deveria servir de aviso aos banqueiros. "Aí você não recebe nem os juros, nem o principal. Juros mantidos neste patamar, por muito tempo, a gente sabe qual é o caminho: é o fundo do poço, é o cemitério."ReformasTrevisan se disse otimista quanto à aprovação das reformas da Previdência e tributária. "Eu penso que quando o presidente Lula promove uma corrida para poder encaminhar estas reformas, seja discutindo no Conselho, seja discutindo com os governadores. O que ele quer? Ele quer produzir condições para abaixar os juros. A aprovação, principalmente, da reforma da Previdência, sinaliza uma necessidade de menos esforço nos gastos. Não quer dizer que você vai gastar mais, você pode gastar mais na área social e ter uma demanda menor nos gastos previdenciários." Mudança de eixoCom isso, segundo o consultor, estará sendo dada uma sinalização ao investidor de que o governo não irá recorrer ao aumento de impostos. "Da maneira como nós estávamos indo, com os gastos da Previdência no tamanho em que a gente estava, você só tinha de fazer aumento de tributos, ao ponto de chegarem a 36% do PIB. Com a aprovação da reforma da Previdência, você sinaliza um futuro muito mais interessante."Giannetti quer urgênciaPara o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, do Ibmec, ouvido no programa Conta Corrente, da Globo News, as boas notícias, como a queda do dólar e o anúncio de que o preço dos combustíveis será reduzido, não devem desviar o governo da tarefa urgente de conseguir aprovar as reformas que enviará na próxima semana ao Congresso. "O governo precisa apresentar de fato o que pretende aprovar no Congresso Nacional, e votar isso o quanto antes. Quanto antes melhor", afirmou.

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