Trichet é contra taxa sobre transações financeiras

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, se pronunciou ontem contra o imposto sobre transações financeiras defendido pelos governos da Alemanha, da França e do Reino Unido.

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

Segundo a autoridade monetária, a taxa não é sustentável "por razões econômicas e financeiras", já que poderia resultar em uma fuga de capitais do sistema financeiro europeu.

A posição do banqueiro deve reforçar a resistência no interior da União Europeia, enfraquecendo também a posição do bloco no encontro do G-20 (grupo das principais economias desenvolvidas e emergentes) que ocorrerá em Seul, na Coreia do Sul, em novembro.

Segundo Trichet, o imposto sobre as transações financeiras não é "desejável".

"Se tomarmos essa iniciativa, ela poderia simplesmente deslocar as transações financeiras para outras praças", advertiu. "Eu compreendo que a ideia possa ser sedutora, mas é nosso dever apontar as dificuldades maiores onde nós vemos dificuldades maiores."

Trichet defende a criação pela União Europeia de um comitê de sábios para avaliar a viabilidade da taxa.

Origem. A ideia de adotar um imposto sobre transações financeiras foi sugerida pelo então primeiro-ministro britânico Gordon Brown durante reunião de ministros de Economias e Finanças e de presidentes de Bancos Centrais do G-20, em novembro de 2009, em Saint Andrews, na Escócia.

Desde então, o projeto passou por estudos e foi adotado pelo Reino Unido, pela Alemanha e pela França em abril. Segundo análises preliminares, o imposto poderia render mais de ? 4 bilhões por ano aos três países.

Porém, só a chanceler alemã, Angela Merkel, levou adiante a ideia. Na Alemanha, um fundo anticrise será criado para receber a arrecadação da taxa, que só será usada em caso de crise maior no sistema financeiro do país, que ponha em perigo a solvência de instituições - como aconteceu em 2008 e em 2009 nos Estados Unidos e na Europa.

Em Bruxelas, a Comissão Europeia também realiza estudos para avaliar o impacto de um novo imposto sobre a competitividade do sistema financeiro do bloco econômico.

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