Trichet: instabilidade no Irã é um risco à economia global

A instabilidade política e tumulto social no Irã representa um risco para a estabilidade econômica global, afirmou hoje o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, em entrevista para a radia francesa Europe 1. Mas Trichet também reafirmou que o BCE espera que a economia global desacelere o seu declínio no decorrer deste ano e retome o crescimento em algum ponto em 2010.

AE, Agencia Estado

21 de junho de 2009 | 12h58

"Existe claramente um risco adicional para a economia internacional", disse Trichet. Mas a crise iraniana surgiu apenas recentemente e ainda não existe um impacto notável sobre a economia global, acrescentou. Estes riscos incluem a perda da confiança na economia de parte dos investidores, tomadores de decisões econômicas e consumidores, disse.

Contudo, Trichet observou que o Irã não é a única área de instabilidade no mundo e que isto dá a todos mais motivo para prosseguir rapidamente com o programa formado pelo G-20 - maiores economias desenvolvidas e emergentes - em abril pra lidar com a crise econômica global e a reforma regulatória.

"Devemos viver com aqueles riscos e, portanto, reforçar o vigor da economia internacional, reforçar o vigor do sistema financeiro internacional", disse o presidente do BCE, acrescentando que trata-se de "um argumento adicional, eu penso, para movermos rapidamente e da forma mais efetiva possível no caminho já designado pelo G-20 e pela comunidade internacional".

Na entrevista, Trichet repetiu que apesar da abundância de incertezas, o BCE espera que a economia global se recupere no próximo ano. "Esperamos uma desaceleração no declínio da atividade", disse. "O primeiro trimestre foi muito ruim; os trimestres seguintes serão menos ruins, até o final do ano quando podemos esperar quase uma estabilização em termos de atividade", disse. "Devemos registrar uma retomada da atividade positiva no decorrer do próximo ano", acrescentou.

Mas ele alertou que os governos devem gradualmente enfrentar seus inchados déficits orçamentários à medida que a recuperação econômica ganha ritmo no próximo ano. De fato, "alcançamos um ponto onde os governos não podem aumentar sua dívida acumulada", disse. Trichet disse que isso é essencial para assegurar a estabilidade de preço no longo prazo e manter a confiança dos mercados e da população geral.

O presidente do BCE disse ainda que é necessário encontrar a mistura certa de corte de gastos e aumentos de impostos para trazer as finanças dos governos de volta ao equilíbrio, após os recentes imensos gastos para reativar o crescimento econômico. As informações são das agências Associated Press e Dow Jones.

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