Trimestre foi o melhor desde 2004

PIB de julho a setembro cresceu 5,7% sobre o mesmo período de 2006; sobre trimestre anterior, alta é de 1,7%

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O Brasil já chegou ao crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), objetivo anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do segundo mandato. Os números do PIB do terceiro trimestre de 2007, anunciados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os 5% já foram atingidos em todos os tipos de medidas e é provável que 2007 feche com expansão acima de 5%. Veja o especial sobre o PIBEntre julho e setembro, a economia cresceu em ritmo superior ao das projeções do mercado, sustentada por um espetacular aumento dos investimentos. O PIB do terceiro trimestre cresceu 1,7% ante o trimestre anterior, na série dessazonalizada. Anualizando esse número, como fazem os Estados Unidos e outros países, o crescimento é de 6,98%. Na comparação com igual período de 2006, o crescimento no trimestre foi de 5,7%, o maior desde o segundo trimestre de 2004 (7,8%). O PIB vem crescendo nessa base de comparação desde o início de 2002. Nos 12 meses terminados em setembro, a economia cresceu 5,2%. No acumulado de 2007, o crescimento é de 5,3% (a maior taxa desde o terceiro trimestre de 2004, quando atingiu 5,7%). Em valores, o PIB do terceiro trimestre de 2007 atingiu R$ 645,2 bilhões, sendo R$ 551,6 bilhões de valor adicionado e R$ 93,5 bilhões de impostos.Os investimentos (formação bruta de capital fixo, sigla FBCF) cresceram, no terceiro trimestre, 14,4% em relação a igual período de 2006, a maior expansão trimestral desde pelo menos 1995 e a 15ª alta trimestral consecutiva. Em quatro trimestres seguidos, a menor taxa de crescimento dos investimentos foi de 8,8%, no primeiro trimestre de 2007. No segundo trimestre deste ano, a taxa foi de 13,9%. Com esse ritmo fortíssimo, os investimentos acumulam expansão de 12,1% nos 12 meses até setembro, mais que o dobro do PIB. Esse desempenho levou a taxa de investimentos no terceiro trimestre para 18,3% do PIB. É a maior taxa para o terceiro trimestre na série iniciada em 2000. "O crescimento dos investimentos tem sido sistematicamente muito bom", comentou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. Ela observou que o investimento vem sendo induzido pelo aquecimento do consumo interno e está calcado nos bens de capital, tanto os produzidos no Brasil quanto os importados (com estímulo da taxa de câmbio).SELICRebeca notou, ainda, que a queda da Selic (a taxa de juros básica) média de 14,6%, no terceiro trimestre de 2006, para 11,5%, no mesmo período de 2007, contribuiu para os investimentos. O mesmo tipo de efeito foi proporcionado pelo aumento de 25,3% do crédito com recursos livres para empresas, entre os terceiros trimestres de 2006 e de 2007.Segundo Rebeca, o crescimento dos investimentos é generalizado, mas está fortemente baseado na aquisição de máquinas e equipamentos pela indústria e pela agropecuária. Os dados da produção de bens de capital do IBGE mostram expansão de 20% no terceiro trimestre, ante igual período de 2006. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam expansão de 30% nas importações de máquinas e equipamentos (em valores).

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