'Trintões' sentiram o baque da crise

Mais da metade da geração de brasileiros que completa neste ano 30 anos num País praticamente sem turbulências econômicas já abriu mão de algum item de consumo por causa da crise, aponta pesquisa

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2016 | 15h19

A geração que completa 30 anos em 2016 e que chegou à vida adulta num País praticamente sem turbulências econômicas está muito abalado pela crise atual. Uma pesquisa revela que 85% dos brasileiros “trintões” têm a sensação de que o seu poder de compra está reduzido e mais da metade (64%) já abriu mão de algum item de consumo por causa da crise.

“Trata-se de um cenário de frustração para uma geração que nunca tinha vivido uma crise e que cresceu respaldada pelos pais, numa economia estabilizada”, afirma Tiago Faria, sócio-diretor da empresa de pesquisa Pesquiseria, da agência Giacometti Comunicação. A enquete consultou cerca de mil pessoas com trinta anos, nos meses de março e abril, das classes A, B e C e com renda média mensal acima de R$ 1,7 mil. Os brasileiros ouvidos vivem  em quatro capitais do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Além da pesquisa online, foram feitas discussões sobre a situação econômica e financeira com  24 grupos da população que pertence a essa faixa etária.

Ápice. Faria explica que a crença generalizada desses entrevistados era de que aos 30 anos eles estariam no ápice da vida financeira e profissional. “Mas a pesquisa mostra que eles chegaram aos 30, mas não ao ápice”, afirma o responsável pelo estudo. De acordo com a enquete, 42% dos  consultados trocaram marcas habituais por outras mais baratas e 29% têm evitado fazer dívidas porque temem perder o emprego.

O estudo classificou os entrevistados em oito grupos diferentes, de acordo com a sua experiência passada e a sua perspectiva para o futuro. O grupo mais afetado pela crise  foi o batizado de “recomeço”. Predominante formado pela população de classe C, os integrantes desse grupo anseiam por mudanças e questionam constantemente a sua trajetória. A pesquisa revela que 71% dos entrevistados desse grupo sentem que está tudo mais caro e que perderam o poder de compra por causa da crise.

Já o grupo chamado de "carreirista", formado por brasileiros das classes A e B que deram prioridade ao estudo e à profissão, mostrou-se mais blindado à crise. Neste grupo, 20% mantiveram o padrão de vida, apesar da turbulência. Foi o maior resultado nesse quesito entre os oito grupos analisados. “Pelo fato de os ‘carreiristas’ serem mais racionais e planejados, o impacto da crise foi administrado”, observa Faria.

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