Triplica fatia de devedores que atrasam prestação da casa própria

Pesquisa aponta que 15,2% das pessoas que estão com dívidas em atraso são compradores de imóveis; em 2015, taxa era de 5,6%

Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo

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O sonho da casa própria virou pesadelo para muitos brasileiros que não estão conseguido pagar em dia as prestações do financiamento imobiliário por causa da crise. A parcela de mutuários com dívidas em atraso triplicou no último ano e essa foi a modalidade de dívida com pagamento atrasado que mais cresceu entre oito linhas de crédito pesquisadas pelo Instituto Geoc. O instituto reúne 16 empresas de cobrança que mensalmente tentam reaver dívidas em atraso de 30 milhões de brasileiros.

Para especialistas, atrasos são segunda parte de crise que começou com desistência de imóveis Foto: Sérgio Castro/Estadão

Neste ano, 15,2% das pessoas, identificadas pelo CPF (Cadastro de Pessoa Física) declararam que estão com prestações do imóvel atrasadas há mais de 30 dias, mostra o levantamento. É quase o triplo do registrado em 2015 (5,6%) e supera essa marca em relação a 2014 (4,2%). “Com a crise, o brasileiro está vendo o sonho da casa própria desabar”, afirma Jair Lantaller, responsável pelo estudo e conselheiro do Geoc.

Para o economista especializado em mercado imobiliário da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Eduardo Zylberstajn, o aumento do atraso no pagamento da prestação da casa própria não surpreende. “A crise foi passando, o desemprego aumentando, a situação do mercado de trabalho se deteriorando e uma hora chegaria na prestação da casa.” Ele lembra que a dificuldade para honrar a compra da casa própria apareceu, num passado recente, no aumento do número de distratos feitos com as construtoras, quando o comprador desiste do imóvel.

Veja como negociar sua dívida imobiliária

1 | 5 A parcela de mutuários com dívidas em atraso triplicou no último ano e essa foi a modalidade com pagamento atrasado que mais cresceu entre oito linhas de crédito pesquisadas pelo Instituto Geoc. Neste ano, 15,2% das pessoas, identificadas pelo CPF (Cadastro de Pessoa Física) declararam que estão com prestações do imóvel atrasadas a mais de 30 dias, mostra o levantamento. É quase o triplo do registrado em 2015 (5,6%) e supera essa marca em relação a 2014 (4,2%). Esse é o caso da pedagoga Jocilene de Andrade Nascimento, que está tendo dificuldades para pagar a prestação da casa própria.
2 | 5 Com a proximidade do recebimento do 13.º , as empresas se movimentam para renegociar as dívidas. Os birôs de crédito como Serasa promovem, nessa época do ano, feirões presenciais agrupando empresas financeiras, lojas de eletrodomésticos, de energia, teles e de seguros. Quem estiver pensando em renegociar as dívidas, faça um bom planejamento antes, colocando na ponta do lápis todas as despesas fixas e os empréstimos já assumidos. Calcule quanto deve sobrar para pagar os valores que serão negociados, escolhendo quais as condições e formas de pagamento melhor se encaixam no orçamento. O risco do despreparo é a empresa propor suas próprias condições, que podem não ser as mais favoráveis. 
3 | 5 Há empresas que oferecem acordo com o credor pela internet. Eles não interferem, nesses casos, na negociação entre as duas partes. Pesquise em órgãos de defesa do consumidor a idoneidade dos sites que oferecem tais serviços, evitando cair em armadilhas.
4 | 5 As penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor pela inadimplência são multa de 2% do valor da dívida e juros de até 1% ao mês pelo atraso no pagamento. Não aceite taxas indevidas, como as supostas despesas que tiveram com a cobrança da dívida. Qualquer dúvida antes de assinar a renegociação pode ser esclarecida em órgãos de defesa do consumidor, como o Proteste ou os Procons. Prefira pagar as novas parcelas por boleto bancário ou carnê de pagamento. Evite assinar notas promissórias, pois elas podem ser protestadas imediatamente. Cheques pré-datados também não são uma boa solução.
5 | 5 Outro pesadelo do mercado imobiliário são os distratos – devolução de imóveis comprados na planta. Os clientes foram pegos de surpresa pelo aumento do desemprego e queda na renda. Sem dinheiro e com restrições dos bancos à oferta de crédito, os consumidores desistem da compra. Nos 12 meses até outubro deste ano, houve 46,2 mil distratos. Na semana passada, o governo anunciou o aumento do teto para financiamento de imóvel pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Para o setor, a medida pode ajudar a diminuir o número de distratos. O valor dos imóveis situados em SP, RJ e MG, além do DF, que pode ser financiado pelo SFH, passou de R$ 750 mil para R$ 950 mil; no resto do País, o limite vai de R$ 650 mil para R$ 800 mil.

Os resultados da pesquisa do Geoc foram obtidos de uma amostra nacional com 176 mil devedores. Eles foram alvo das empresas de cobrança entre fevereiro e novembro. Desses, quase 80% estavam com pagamentos em atraso há mais de 30 dias em produtos de crédito.

Classe C. Lantaller diz que, com o avanço do desemprego, o atraso no pagamento da casa própria afeta principalmente a classe C. Mais de 50% da amostra são de brasileiros com renda mensal de até R$ 3 mil.

Como a perspectiva de aumento do desemprego em 2017, ele acredita que o atraso no pagamento da casa própria deve aparecer nos índices de inadimplência dos bancos em meados do ano que vem. É que a pesquisa considera a prestação atrasada há mais de 30 dias. Essa dívida vira inadimplência no critério do sistema financeiro quando o atraso supera 90 dias. “É um sinal de alerta”, diz Lantaller.

Os números do Banco Central (BC) em seu último relatório de crédito confirmam o atraso. Entre janeiro e outubro, o atraso das prestações de imóveis entre 15 e 90 dias cresceu 2,5% em valores monetários. Mas, por enquanto, a inadimplência, que é o atraso superior a 90 dias ficou praticamente estável no ano, aponta o BC.

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