Troca de dívida só vale se a diferença superar 5%

Portabilidade do financiamento deve acirrar disputa entre bancos; consumidor deve colocar despesas na ponta da lápis antes de decidir

Larissa Féria, ESPECIAL PARA O ESTADO,

29 de maio de 2014 | 11h28

A portabilidade do crédito imobiliário – que permite transferir o financiamento para um banco que cobre valores mais atraentes do financiado – simplificou o processo, padronizando os procedimentos e fixando prazos para troca de informações entre bancos, diz Maria Inês Dolci, coordenadora da Proteste Associação de Consumidores. As novas regras entraram em vigor neste mês.

Antes de se decidir é preciso fazer contas. Custos extras, como vistoria do imóvel e registro em cartório, podem encarecer a operação. "Chegamos à conclusão de que só vale a pena fazer a portabilidade se a diferença do total da dívida for acima de 5%" afirma Dolci. "Caso contrário, não compensa os recursos e o tempo gastos na mudança."

Há expectativa de que os bancos baixem juros para manter clientes. "Com a alta da Selic, os bancos estão restritivos e está difícil conseguir negociar", afirma Miguel de Oliveira, diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). "Por ser financiamento de longo prazo e de alto valor, qualquer redução, por menor que seja, dará enorme economia."

A Proteste e o Canal do Crédito desenvolveram calculadora que ajuda a descobrir se vale migrar o financiamento. Há duas maneiras de usar. Se ainda não tiver proposta, coloque o Custo Efetivo Total (CET) que paga hoje e o simulador compara com os juros do mercado. Caso tenha oferta de outro banco, a consulta indica se é melhor.

Além do CET, a ferramenta leva em conta custos de cartório, para averbação na escritura, e da vistoria do imóvel e análise jurídica, que poderão ser cobradas pelos novos bancos.

Segundo simulação feita pelo site, em um financiamento de R$ 750 mil feito em 360 meses, com taxa de juros efetiva de 11% e CET de 11,855%, o valor da próxima parcela é R$ 6.723,63. Como já foram pagas 120 prestações, o saldo devedor atual é de R$ 500 mil. As simulações foram realizadas utilizando o Sistema de Amortização Constante (SAC), no qual parcelas são maiores no início e decrescem com o tempo. No banco A, cuja taxa de juros efetiva é de 10,75% e o CET é de 11,667%, a prestação cai para R$ 6.538,34 e a economia real, que é a soma das diferenças de cada parcela trazidas para o valor presente, será de R$ 3.924,51. Significa diferença de 3,55%, ou seja, neste caso, não vale a pena migrar de banco.

No banco B, com taxa de juros efetiva de 9,5% e CET de 10,438%, a parcela será de R$ 6.079,41 – redução de R$ 41.470,85 ao fim do financiamento, ou 7,56% a menos. "A conta é complexa, por isso criamos a calculadora", diz Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito.

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