Troca de gás por álcool deve começar pelos carros

O presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, disse nesta quinta-feira que a substituição do gás natural pelo álcool nas usinas térmicas depende apenas de questões técnicas, por meio de alterações mecânicas. No entanto, o executivo sugeriu que a redução na demanda pelo gás venha antes dos carros a álcool que foram convertidos para o gás natural. "No caso dos veículos, não seriam necessárias alterações, já que a troca ocorre naturalmente no abastecimento", afirmou. "E houve uma febre de conversões de veículos, da ordem de 200 mil carros por ano, que deve cair em 2006", completou.Na edição desta quinta do Estado, foi informado que o Brasil pode trocar o gás natural pelo álcool nas usinas térmicas. A alternativa que reduziria a dependência do País em relação ao gás boliviano, já foi testada pela Petrobras há alguns meses, com resultado positivo. É uma solução que pode ser acionada no "curtíssimo prazo", segundo fontes que acompanham os testes. Os estudos serão apresentados hoje aopresidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Carvalho procurou não comentar se essa alternativa traria uma disparada na demanda pelo combustível da cana-de-açúcar, e novos gargalos de abastecimento na entressafra, por não ter dados sobre o consumo total de etanol caso haja a substituição.PossibilidadesSegundo técnicos, a troca do gás pelo etanol exigiria uma adaptação dos equipamentos das usinas térmicas mas, explicam, são alterações tecnologicamente simples. Outra possibilidade, também de curto prazo, é trocar o gás natural pelo óleo combustível nas usinas térmicas. Ao desenvolver essas alternativas, o governo quer demonstrar que o Brasil não depende totalmente do gás boliviano. Mais do que soluções a serem realmente adotadas, esses são trunfos a serem usados nas negociações com a Bolívia em torno dos novos preços do gás. Caso a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) insista em aumentos exorbitantes, a Petrobrás deixará claro que não precisa aceitá-los, pois tem como garantir o abastecimento de outras formas.

Agencia Estado,

18 de maio de 2006 | 12h48

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