Nilton Fukuda/Estadão
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'Trocamos três motos Harley por uma van'

Disparada do dólar faz brasileiros adaptarem planos de viagem e abrirem mão de compras

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2015 | 02h02

A arrancada do dólar nos últimos meses vem desencorajando os brasileiros a viajar para o exterior. Segundo pesquisa do Ministério do Turismo realizada em agosto, 78% dos que pretendem viajar nos próximos seis meses escolherão destinos nacionais. Quem já está de viagem marcada, no entanto, não tem muita saída: a conta vai sair mais cara.

Há dois anos, o empresário Fábio Diez, de 43 anos, planeja com quatro amigos uma viagem clássica: percorrer em grande estilo a lendária Rota 66, nos Estados Unidos, que vai de Chicago a Los Angeles.

Com passagens e hotéis fechados meses antes, com o dólar a R$ 2,80, a ideia era alugar três motos Harley-Davidson e um carro. "Como o aluguel da moto varia de US$ 200 a US$ 300 a diária, o plano ficou inviável", conta Diez. "Agora, senta e chora: vamos numa van todos juntos. Só vai ser divertido porque estaremos entre amigos", brinca. As listas de eletrônicos também foram cortadas: "Brincamos que nossos almoços vão ser só de barrinha de cereal".

Para quem já está munido de passagens e hospedagem, o jeito é economizar nas compras. Gustavo Tavares, de 40 anos, começou a planejar uma viagem para Orlando em março, num grupo de 14 pessoas, entre familiares e amigos.

"Compramos as passagens com dólar a R$ 2,90 e alugamos a casa com dólar a R$ 3,20", diz o médico, que vai levar os três filhos à Disney. Quando a cotação chegou a R$ 4, tomou um susto. "Não imaginávamos que subiria tanto. Meu pai, por exemplo, ficou tão desesperado que até sabonete e papel higiênico ele queria levar na mala", conta. Nesta quinta-feira, 24, em casas de câmbio no Aeroporto de Guarulhos, o dólar turismo em espécie era vendido por volta de R$ 4,40; já a moeda no cartão pré-pago, com maior incidência de IOF, saía em torno dos R$ 4,60.

"O jeito é cortar quase todas as compras - só roupas mesmo", diz. Um item, no entanto, não sai da lista mesmo com o dólar caro: um iPhone para a filha mais velha. "Vai ser o único eletrônico, pois ela está juntando dinheiro para isso faz tempo."

Se o destino é a Europa, a conta fica mais salgada. O casal mineiro Rodrigo Camilo, de 37 anos, e Priscila Rosa, de 33 anos, fechou viagem para Holanda, Inglaterra e França há três meses. "O difícil é agora, quando vem o cartão." O dinheiro em espécia foi comprado no dia: euro a R$ 4,83 e libra a R$ 6,97. "Vamos ter de cortar as compras em uns 70%, diz o engenheiro. "Só passear e comer."

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