'TROCO DE BANCO E VOU REFINANCIANDO'

Aposentados, como Esther Montenegro, recorrem ao empréstimoconsignado para ajudar nas finanças das famílias e nas despesas diárias

O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2015 | 02h04

O consignado dos aposentados funciona como uma espécie de crédito tapa-buraco para socorrer as finanças da família, ajudar a fechar as contas do mês e pagar dívidas mais caras. Usar esse dinheiro para ir às compras não está entre as prioridades dos que contraem o empréstimo.

"Peguei crédito consignado no meu nome para ajudar a pagar as dívidas das minhas duas filhas", conta o gráfico aposentado José Aparecido Ferreira, de 69 anos. Ele tem uma aposentadoria de R$ 2,8 mil, mas, na prática sobram R$ 1,8 mil por mês depois de pagar a prestação do consignado.

Entre dois empréstimos, Ferreira pegou cerca de R$ 11 mil em crédito consignado. "Se fosse só para mim, eu não precisava de crédito consignado não." Mas ele conta que as filhas repõem mensalmente o valor da prestação. "Tenho três anos de consignado para pagar daqui para frente."

Já a bancária aposentada Esther Meirelles Montenegro, de 69 anos, tem quatro empréstimos consignados para uso próprio. O financiamento foi feito para quitar dívidas mais caras, como a do cartão de crédito e do empréstimo pessoal.

"Desde que começou o consignado troco de banco e vou refinanciando", diz ela, que reclama da dificuldade de migrar de um empréstimo consignado com taxa maior para outro banco que cobra menos. "Os bancos dificultam a portabilidade."

O empréstimo inicial da aposentada era de R$ 10 mil. Atualmente ela recebe uma aposentadoria de R$ 2,1 mil e paga uma prestação mensal de R$ 670 pelos quatro empréstimos. "Sobra muito pouco", diz Esther, fazendo referência ao dinheiro que tem líquido no bolso, depois de pagar a prestação e cobrir os gastos do convênio médico, entre outras despesas obrigatórias. Ela conta que já cortou muito gastos. "Antes a gente viajava e almoçava fora com maior frequência."

Comida. Para o segurança aposentado Pedro Nunes dos Reis, de 85 anos, o consignado tem um papel essencial: fechar as contas do mês. "Recebo R$ 2,3 mil. Esse dinheiro é muito ruim, não dá para viver", reclama. Ele conta que pegou um financiamento consignado de R$ 700 para cuidar da saúde e comprar comida também. "Só a aposentadoria não dá."

Para Reis, despesas com comida e saúde são as que mais pesam no seu orçamento. "A gente vai no posto de saúde, o médico dá a receita, mas não tem o remédio para oferecer", afirma. / M.C.

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