Troster rebate críticas de Mantega aos bancos por mais crédito

Para o ex-economista chefe da FBB, é 'bonito' o ministro dizer que os bancos públicos estão emprestando dinheiro, mas teme que não sejam tão eficientes na hora da cobrança

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

17 de agosto de 2012 | 20h01

SÃO PAULO - O economista Roberto Luís Troster, sócio da Delta Consultoria, rebateu as críticas que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a fazer nesta sexta-feira à instituições privadas bancárias. Para Troster, ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos, é "bonito" o ministro dizer que os bancos públicos estão emprestando dinheiro, mas teme que eles não sejam tão eficientes na hora da cobrança. "É inviável porque o setor financeiro brasileiro tem uma inadimplência que é o dobro da media mundial", diz Troster.

A Federação Brasileira de Bancos não quis comentar as críticas.

Em reunião com superintendentes do Banco do Brasil, em São Paulo, o ministro voltou a cobrar dos bancos a redução das taxas de juros na concessão de crédito. Enfático, Mantega disse que "se eles (bancos) ficarem nessa posição (comedidos na concessão de crédito) vão comer poeira como aconteceu em 2009."

O ministro disse que havia cobrado dos superintendentess do Banco do Brasil alcance de metas mais ousadas ma concessão de crédito. Ele lembrou ainda que os bancos públicos respondem hoje por 45% do crédito. Para ele, a inadimplência vem caindo justamente pelo aumento da liberação de financiamentos.

Para o sócio da Delta Consultoria, quando o ministro Mantega diz que os bancos públicos têm dinheiro em caixa o suficiente para emprestar, não é bem assim. Os números do balanço da Caixa Econômica Federal, por exemplo, segundo Troster, mostram que está faltando recursos e que a instituição precisará de um aporte de capital da ordem de R$ 10 bilhões do Tesouro Nacional. "Vão precisar de recursos do Tesouro, dinheiro do contribuinte que não tomou crédito e não se endividaram."

Para o ex-economista da Febraban, os bancos poderiam emprestar se o governo reduzisse a tributação sobre o crédito e liberasse o compulsório. "É um disparate que mais de 90% do patrimônio dos bancos fiquem congelados", disse, explicando que, do patrimônio líquido de cerca de R$ 420 bilhões dos bancos, R$ 403 bilhões estão parados compulsoriamente numa conta do Banco Central. "É um despautério que só existe no Brasil", criticou.

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