Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Trump alega 'crescente déficit comercial' para justificar sobretaxa ao aço e alumínio

No Twitter, presidente americano disse que os EUA precisam voltar a vencer no comércio internacional; decisão de sobretaxar as commodities gerou divergências em vários países e elevou o temor de uma guerra comercial global

Broadcast

07 Março 2018 | 09h40

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 7, que seu país tem perdido dezenas de milhares de fábricas e milhões de empregos no setor. Além disso, Trump escreveu no Twitter que o déficit comercial americano supera cifras trilionárias. A mensagem é divulgada após ele informar na semana passada que pretende impor tarifas sobre importações de aço e alumínio, o que gerou divergências com vários países e o temor de uma guerra comercial global.

"Desde Bush 1 até agora, nosso país perdeu mais de 55 mil fábricas, 6 milhões de empregos no setor manufatureiro e acumulou déficits comerciais de mais de US$ 12 trilhões", afirmou Trump. Ele se referiu ao presidente George H. W. Bush, republicano que ficou no poder entre 1989 e 1993 e é pai do também ex-presidente George W. Bush (2001-2009).

"No ano passado, nós tivemos um déficit comercial de quase US$ 800 bilhões. Más políticas e lideranças. Precisamos VENCER de novo!", afirmou Trump na mensagem.

Reação.  A principal autoridade de comércio da União Europeia disse hoje que o bloco dúvida que Donald Trump esteja planejando adotar pesadas tarifas contra importações de aço e alumínio por questões de segurança nacional. Para a UE, Trump está em busca de vantagens econômicas.

Trump, que há tempos se queixa do que classifica como "práticas comerciais desleais" da China e de outros países, declarou na semana passada a intenção de taxar importações de aço e alumínio em 25% e 10%, respectivamente.

Em Bruxelas, a Comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, disse hoje a repórteres que a motivação de Trump parece ser a de invocar o direito legal internacional de proteger a segurança nacional.

"(Mas) temos sérias dúvidas sobre essa justificativa. Não conseguimos ver como a União Europeia, amigos e aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) possam ser uma ameaça à segurança nacional nos EUA", comentou Malmström.

Na Alemanha, a  ministra da Economia, Brigitte Zypries, se mostrou preocupada com as tarifas planejadas pelos Estados Unidos e também com a demissão do principal assessor econômico do presidente Donald Trump, Gary Cohn, um defensor do livre comércio. "A situação é séria", afirmou Zypries, no momento em que a União Europeia debate as possíveis tarifas americanas sobre o aço e o alumínio importados.

"A UE estará, se o pior ocorrer, pronta para reagir de maneira apropriada. Mas nossa meta é impedir um conflito comercial", afirmou a autoridade. A ministra acrescentou esperar que Trump mude de ideia. "O comércio cria prosperidade se ele for baseado na troca, na interação. Os defensores disso nos EUA são muito importantes. Até agora, os sinais atuais vindos dos EUA me deixam preocupada", comentou ela.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.