Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters

Trump impõe tarifa de 10% sobre US$ 200 bi em exportações da China

EUA ampliam disputa com país asiático e já antecipam que se rival retaliar medidas, vão impor novas taxas; ao contrário da outra fase de taxações, essa mira bens de consumo, como produtos eletrônicos, ferramentas e utilidades domésticas

Niviane Magalhães, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2018 | 20h03
Atualizado 17 Setembro 2018 | 22h41

O presidente Donald Trump cumpriu as ameaças e anunciou, nesta segunda-feira, 17, que vai impor tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em importações chinesas, a partir do dia 24.

Essas tarifas aumentarão para 25% no início de 2019. Essa nova rodada se soma aos US$ 50 bilhões que já haviam sido taxados no início do ano, o que significa que os EUA vão cobrar tarifas de quase metade de tudo o que compram da China.

O comunicado do presidente americano afirma que “se a China tomar medidas de retaliação contra nossos agricultores ou outras indústrias, imediatamente buscaremos a fase três, que são tarifas adicionais sobre aproximadamente US$ 267 bilhões de importações”.

Segundo Trump, a China está envolvida em inúmeras políticas e práticas injustas relacionadas à tecnologia e à propriedade intelectual dos EUA, como forçar as empresas americanas a transferir tecnologia para companhias chinesas.

A decisão de Trump representa uma escalada significativa na disputa comercial entre os dois países – aparentemente sem um fim à vista. Foram meses de negociações fracassadas entre altos funcionários da China e dos Estados Unidos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, convidou na semana passada representantes chineses para novas negociações, mas até agora nada foi marcado.

Essa nova rodada de tarifas atinge em cheio consumidores e empresas americanas. Na primeira rodada, de US$ 50 bilhões, as taxas foram aplicadas apenas a produtos industriais e agora se estendem para bens de consumo, podendo elevar preços de produtos eletrônicos, alimentos, ferramentas e utilidades domésticas, pouco antes da temporada de compras natalinas. Cerca de R$ 23 bilhões em dispositivos conectados à internet serão sobretaxados.

Mas a pressão de companhias americanas, levou o governo a excluir uma série de produtos da lista, como relógios inteligentes da Apple. Também foram poupados das tarifas os insumos chineses para os produtos químicos produzidos nos EUA usados na manufatura e têxteis.

Os ajustes fizeram pouco para apaziguar os grupos de tecnologia e varejo que argumentavam que as tarifas afetariam duramente os consumidores. “A decisão do presidente Trump de impor mais US$ 200 bilhões é imprudente e causará danos duradouros às comunidades em todo o país”, disse Dean Garfield, presidente da associação que representa as principais empresas de tecnologia.

As bolsas de Nova York ampliaram as perdas ontem imediatamente depois que Donald Trump disse que faria um anúncio sobre o comércio com a China após o fechamento dos mercados. Pela manhã, o presidente americano escreveu em seu Twitter que “se países não fizerem acordos justos conosco, eles serão tarifados”.

“Isso tem gerado preocupação para as pessoas porque é algo que tende a pesar na economia”, disse Brent Schutte, estrategista-chefe de investimentos da Northwestern Mutual Wealth Management antes do anúncio da Casa Branca. O índice Dow Jones fechou em queda de 0,35%, o Nasdaq caiu 1,43% e o S&P 500 teve baixa de 0,56%.

A intensificação da guerra comercial é uma preocupação para os investidores. Recentemente, Maurice Obstfeld, economista chefe do FMI, afirmou que “o risco de que as tensões comerciais se intensifiquem (...) é, a curto prazo, a maior ameaça ao crescimento mundial”, Essa preocupação é compartilhada pelo Federal Reserve dos Estados Unidos, o banco central da maior economia do planeta. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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