Michael Reynolds/EFE
Michael Reynolds/EFE

Trump confirma tarifa para o aço, mas abre espaço para acordos bilaterais

Presidente americano disse que taxação poderá ser negociada caso a caso, com vantagens para nações ‘aliadas’;

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 17h57

GENEBRA - Apesar das críticas de fabricantes de automóveis e de outros segmentos da indústria americana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quinta-feira, 8, que o país aplicará uma tarifa de 25% sobre a importação de aço e de 10% sobre as compras de alumínio, argumentando que se trata de uma decisão relacionada à segurança nacional. Trump também anunciou que as medidas vão entrar em vigor em 15 dias. A decisão afeta diretamente o Brasil, que é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos.

O governo brasileiro reagiu rapidamente ao anúncio, afirmando que “recorrerá a todas as ações necessárias (...) para preservar seus direitos e interesses”. O duro posicionamento de Brasília está relacionado ao fato de que os EUA concentram cerca de um terço das exportações nacionais de aço. Um estudo do Peterson Institute aponta que as perdas do Brasil com a medida poderiam ser de US$ 1 bilhão por ano.

Além do Brasil, mercados como Coreia do Sul, China, Japão, Alemanha e Turquia serão afetados pela barreira comercial. As perdas da Europa poderiam chegar a US$ 2,6 bilhões. Por isso, autoridades europeias protestaram contra a medida. “Somos um aliado dos Estados Unidos e temos a posição de que deveríamos ser excluídos dessa medida”, disse a comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom.

O presidente americano deixou uma brecha para negociações caso a caso. Em reunião de gabinete na manhã de quinta-feira, antes do anúncio das medidas, Trump afirmou que as nações consideradas aliadas terão tratamento mais favorável. “Temos amigos e também inimigos – e esses últimos nos trataram mal por muitos anos”, afirmou.

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Desde o anúncio original da imposição de tarifas para aço e alumínio, na semana passada, a administração Trump já cedeu em um ponto. Ontem, foi anunciado que México e Canadá, que fazem parte do bloco comum da América do Norte, o Nafta, estariam isentos das sanções.

Ao ir adiante com a proposta de tarifas para o aço e o alumínio, Trump e sua equipe ignoraram argumentos de que a barreira a essas matérias-primas poderia encarecer o preço de automóveis, eletrodomésticos e outros produtos, tendo um impacto sobre a inflação americana. Entidades apontam ainda que, para proteger as siderúrgicas, que geram 140 mil empregos diretos nos Estados Unidos, o governo pode tirar competitividade do setor automotivo, que gera 7 milhões de vagas.

Os conselheiros do presidente americano minimizaram o impacto nos preços, afirmando que o mercado interno praticamente não notará os efeitos das tarifas. Trump fez o anúncio da barreira ao aço e ao alumínio importado cercado de trabalhadores de siderúrgicas. “Sem aço não há país”, disse.

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Briga. Durante a campanha presidencial, em 2016, Trump foi um crítico dos efeitos da globalização para os cidadãos americanos e adotou um discurso protecionista. Segundo analistas, ele agora dá o passo mais concreto para transformar a retórica em medida prática.

As ameaças de outras nações relativas à abertura de processos na Organização Mundial do Comércio (OMC) não têm sido encaradas como problema pelo governo Trump. Primeiro, porque as ações na organização global demoram anos para serem julgadas. E, segundo, porque o presidente americano tem colocado em xeque a própria relevância do que prega a OMC.

Na segunda-feira, 5, o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, afirmou que a decisão dos Estados Unidos, se confirmada, poderia provocar um “efeito dominó” de medidas comerciais protecionistas que levariam o mundo a uma “recessão profunda”. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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