Alan Santos/PR - 24/9/2019
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Trump não dá apoio ao Brasil na OCDE neste momento, mas dá aval à inclusão da Argentina

Em carta enviada no fim de agosto à organização, os EUA apoiaram apenas a entrada da Argentina e da Romênia, porque esses países haviam apresentado o pedido antes dos outros

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2019 | 13h26
Atualizado 10 de outubro de 2019 | 17h13

BRASÍLIA - Os Estados Unidos negaram apoio a uma proposta de inclusão de novos países, incluindo o Brasil, na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, a negativa foi dada a uma proposta apresentada pelo secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, de discutir a inclusão de um bloco de seis novos países na organização, que teria ainda nações europeias. 

O presidente Jair Bolsonaro disse ao Estado que nunca houve um compromisso formal dos Estados Unidos de apoiar a candidatura do País à OCDE neste momento, muito menos um cronograma estabelecido. Em carta enviada no fim de agosto à organização, a qual a agência Bloomberg teve acesso, os EUA apoiaram apenas a entrada da Argentina e da Romênia, considerando o “critério cronológico”, segundo as fontes, porque esses países haviam apresentado o pedido antes dos outros, inclusive do Brasil.

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter prometido apoiar a adesão brasileira ao bloco, pretendida pelo presidente Jair Bolsonaro, os EUA são contra uma ampliação maior da organização e têm se posicionado de forma contrária às ações do secretário-geral. 

A negativa de entrada dos seis países teria relação com essa disputa e acabou atingindo o Brasil. Os EUA ainda são contra a inclusão de novos países europeus ou de áreas de influência da Europa. 

A avaliação das fontes é que a questão pode se resolver no ano que vem, quando está prevista a escolha de um novo secretário-geral, e que, neste momento, poderia haver o apoio formal dos EUA à entrada do Brasil na OCDE. 

Concessões do governo Bolsonaro

Desde que se aproximou dos EUA, o governo Bolsonaro vem fazendo concessões ao país em troca do apoio à adesão brasileira à OCDE e com negociações comerciais na mira.

Em março, durante a visita em que Trump prometeu o apoio ao pleito brasileiro pela primeira vez, o Brasil acabou com a exigência de visto para que norte-americanos entrem no País. A ação foi unilateral, ou seja, os EUA continuaram exigindo vistos de brasileiros, o que não é comum na diplomacia.

Na mesma visita, foi fechado um acordo que permite o uso comercial na base de Alcântara, no Maranhão, como o lançamento de mísseis e satélites dos EUA do local.

Em setembro, o governo brasileiro concordou em elevar a cota de importação de etanol sem tarifa de 600 milhões para 750 milhões, o que beneficia produtores norte-americanos. A decisão foi entendida por parte do setor produtivo como uma contrapartida do Brasil para que os Estados Unidos abram mais o mercado para o açúcar nacional, mas nada nesse sentido foi anunciado.

O Brasil também prometeu renunciar a tratamentos especiais destinados a países em desenvolvimento em negociações com a Organização Mundial do Comércio (OMC), etapa necessária para a adesão.

Chanceler

Nesta quinta, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o Brasil está pronto para integrar a OCDE. "Estamos vivendo uma extraordinária abertura econômica. Estamos prontos para integrar a OCDE. Nós e o setor privado acreditamos que isso será chave para o desenvolvimento do Brasil", disse o ministro, durante o Fórum de Investimentos Brasil 2019. O evento, realizado em São Paulo, é organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Araújo também comentou que o Brasil está se ligando a cadeias globais de valor, como nunca visto antes, citando os acordos do Mercosul com a União Europeia e com a Efta (Associação Europeia de Livre Comércio, na tradução). "A abertura do Brasil para cadeia global de valor exige parcerias com todos investidores. Para isso, estamos com uma agenda dinâmica que pode criar oportunidade de desenvolvimento para todos", disse o ministro do Itamaraty.

O ministro apontou ainda que considera que a liberdade econômica e política caminham juntas. "Estamos convencidos de que o eixo do patriotismo é o que vai levar realmente o País para frente", afirmou Araújo.

Países-membros da OCDE

1961: países fundadores

1962

1964

1969

1971

1973

1994

1995

1996

2000

2010

2016

  • Letônia

2018

  • Lituânia 

/ Colaboraram André Ítalo Rocha, Circe Bonatelli e Isadora Duarte

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