Christian Hartmann/ Reuters
Christian Hartmann/ Reuters

Trump diz que negociação comercial com a China será retomada 'em breve'

Comentário veio depois do acirramento da disputa entre os dois países na semana passada, com mais ameaças de punições tarifárias dos dois lados

Sergio Caldas e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2019 | 09h08
Atualizado 26 de agosto de 2019 | 15h39

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 26, que Washington recebeu duas ligações telefônicas da China na noite de domingo e que os dois países retomarão negociações comerciais "em breve" e de "forma muito séria".

Trump, que falou durante coletiva na reunião do G-7 em Biarritz, na França, disse ter muito respeito pelo presidente chinês, Xi Jinping, e acrescentou que Pequim quer fechar um acordo comercial com os EUA. "Acho que teremos um acordo", afirmou.

"Não fiquei sabendo das ligações do fim de semana mencionadas pelos EUA", disse, no entanto, o porta-voz da chancelaria chinesa, Yan Shuang. De qualquer modo, ele afirmou que China e EUA devem resolver suas diferenças comerciais "por meio de diálogo e consultas".

Durante outra coletiva na França, dessa vez ao lado do presidente Francês, Emmanuel Macron, Trump insistiu que houve "várias ligações" com Pequim. "A China quer muito fazer um acordo." Ele afirmou que  "quanto mais tempo a China esperar para fazer um acordo, mais difícil será" retirar as barreiras tarifárias atualmente em vigor e acertar um entendimento. "Eu não sei se a China tem uma escolha sobre fazer um acordo ou não", comentou. Também insinuou que, "em breve", os EUA terão recolhido US$ 100 bilhões em receita com as tarifas sobre importações chinesas.

Macron disse ser um "desejo profundo" que os Estados Unidos e a China cheguem a um acordo que encerre a guerra comercial. "Quanto mais rápido houver um acordo, mais rápido vai se dissipar a incerteza."

Ele ressaltou que Trump "mostrou claramente a sua disposição" de firmar um acerto com Pequim e reconheceu que esse assunto rendeu "longas discussões" entre os líderes das sete maiores economias do mundo. Segundo o francês, essas conversas serviram para esclarecer "o que é legítimo e o que os EUA consideram injusto" no comércio global.

Acirramento da disputa comercial entre EUA e China

Os comentários de Trump vieram após uma nova escalada na disputa comercial entre EUA e China. Na sexta-feira, 23, Pequim anunciou que vai tarifar mais US$ 75 bilhões em produtos chineses, levando Trump a anunciar elevação de tarifas para US$ 550 bilhões em bens chineses.

Perguntado sobre um eventual adiamento das tarifas de Washington previstas contra a China, Trump disse mais cedo nesta segunda que "tudo é possível". Ele afirmou que que os EUA estão numa "posição muito melhor agora" do que antes nas negociações comerciais com a China e elogiou o presidente chinês, Xi Jinping.

Os mercados internacionais reagiram positivamente à fala de Trump. O dólar se fortaleceu ante outras moedas principais e em relação a divisas emergentes:  o índice DXY, que mede a divisa americana contra uma cesta de seis rivais, subia 0,31% no começo da tarde. Nas Bolsas de Nova York, o Dow Jones subia 0,92%, o S&P 500 avançava 0,83% e o Nasdaq tinha ganho de 0,98%. Frankfurt, por sua vez, ganhava 0,32% e Paris, 0,36%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.