Patrick Semansky / AP
Patrick Semansky / AP

Trump diz que vai retomar tarifas sobre aço e alumínio de Brasil e Argentina

Presidente americano acusa os governos brasileiro e argentino de desvalorizarem suas moedas, prejudicando os fazendeiros dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 08h30
Atualizado 02 de dezembro de 2019 | 16h05

Em uma publicação no Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Brasil e Argentina têm desvalorizado as próprias moedas e, por conta disso, anunciou que vai retomar tarifas sobre aço e alumínio provenientes dos dois países da América do Sul

"A desvalorização não é boa para os nossos fazendeiros", disse o chefe da Casa Branca, acrescentando que o que vem acontecendo com as moedas locais frente ao dólar causa dificuldades para as exportações americanas. "Fed (Federal Reserve, o banco central americano) precisa agir para que países não tirem vantagem de nosso dólar forte para desvalorizar ainda mais suas moedas", completou. 

De acordo com a publicação, os efeitos da medida anunciada são imediatos. Confira o Tweet abaixo. 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, reagiu à fala de Trump afirmando que vai conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedese acrescentou que, se precisar, vai contatar o próprio presidente americano. "Se for o caso, falo com Trump, tenho canal aberto". 

Por meio de nota, o Instituto Aço Brasil afirmou que recebeu com perplexidade a decisão anunciada por Trump. A entidade classificou a medida como retaliação ao País.

“O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no País é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o Real, e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de 'compensar' o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”, diz o comunicado.

A entidade que representa as siderúrgicas nacionais afirmou ainda que a decisão prejudica a própria indústria americana produtora de aço, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas.

Histórico das tarifas

O presidente Trump havia anunciado, em março do ano passado, a imposição de uma sobretarifa de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio de vários países, incluindo o Brasil - o maior exportador de aço para os EUA. "Nossas indústrias de aço e alumínio foram dizimadas por décadas de comércio injusto e políticas ruins de países ao redor do mundo. Nós não podemos mais deixar que tirem proveito do nosso país, empresas e trabalhadores", escreveu o presidente americano, à época, em sua conta no Twitter.

A decisão provocou enorme polêmica em todo o mundo. Os próprios americanos questionaram a medida, argumentando que a barreira a essas matérias-primas poderia encarecer o preço de automóveis, eletrodomésticos e de outros produtos, podendo ter um impacto negativo sobre a inflação do país. O que Trump aceitou fazer foi estabelecer cotas de importações para o aço, sem a sobretarifa. 

Em agosto, porém, diante da pressão das próprias empresas americanas, o presidente americano voltou atrás e resolveu flexibilizar a política das sobretarifas. Ele autorizou a entrada de aço e alumínio no país em quantidade acima das cotas livres dessas taxas, desde que ficasse comprovado que o produto não era feito nos EUA em quantidade suficiente ou que fosse de qualidade insatisfatória.  Agora, Trump resolveu retomar essas taxas, reabrindo a polêmica.   

 

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