Nicholas Kamm / AFP
Nicholas Kamm / AFP

Trump emite sinais contraditórios de ‘guerra’ com China

Presidente afirma que tinha dúvidas sobre disputa com chineses, mas, depois, Casa Branca diz que ele lamenta não ter sido mais duro

The New York Times, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2019 | 20h47

BIARRITZ (FRANÇA) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou sinais profundamente contraditórios sobre a guerra comercial com a China ontem no encontro do grupo das maiores economias do planeta, o G-7, que ocorre até este domingo, 25, em Biarritz, balneário no sul da França. 

Um dia depois de defender a saída de empresas americanas da China, Trump começou o domingo admitindo que estava tendo “dúvidas” sobre uma nova rodada de impostos sobre produtos chineses. Em poucas horas, porém, ele reverteu abruptamente, dizendo que só se arrependia de não elevar as tarifas ainda mais.

O discurso retórico do presidente veio no contexto de reuniões tensas, mas cordiais, em Biarritz. Injetou uma nova incerteza nos esforços de Trump para tentar mudar o comportamento chinês apostando no destino de centenas de bilhões de dólares em produtos que circulam entre os dois países.

“Eu acho que eles respeitam a guerra comercial”, disse Trump sobre seus aliados do G-7. Sobre a China, ele disse: “O que eles fizeram é ultrajante, que presidentes e administrações lhes permitiram obter centenas de bilhões de dólares todos os anos.”

Os aliados dos EUA há muito concordam que as políticas da China são uma ameaça, mas há pouco consenso por trás da abordagem de Trump e um profundo nervosismo de que o presidente vá derrubar a economia global, atingindo as já oscilantes economias europeias.

Sem recuo. Mas longe de usar o encontro para montar uma frente unida contra as políticas comerciais chinesas, Trump fez questão de deixar bem claro que não tem intenção de recuar.

Os chefes de Estado de algumas das principais democracias do mundo trataram Trump delicadamente. Mas vários o desafiaram publicamente sobre as questões do comércio, da Coreia do Norte e da Rússia.

Até mesmo Boris Johnson, o novo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, que se reuniu com o presidente americano mais do que com os outros líderes, criticou publicamente Trump sobre o valor do livre-comércio e os perigos de um confronto prolongado sobre o comércio.

Dias antes de chegar a Biarritz, Trump tuitou furiosamente que estava aumentando as tarifas sobre produtos chineses em resposta à retaliação chinesa por impostos anteriores.

Na manhã de domingo, porém, ele estava hesitante sobre a possibilidade de impor as taxas adicionais e recuou em sua ameaça ao desembarcar na França para declarar uma emergência, usando uma lei, para que ele obrigasse as empresas americanas a deixar a China. Depois de ter declarado Xi Jinping, o líder da China, um inimigo, Trump disse que “estamos nos dando muito bem com a China agora”.

Mudança. “Eu tenho dúvidas sobre tudo”, disse, Mas a rara expressão de dúvida - de um presidente americano que quase nunca admite estar errado ou mesmo de mudar de ideia - durou menos de cinco horas. Depois que Trump foi informado por assessores sobre a cobertura de suas declarações, incluindo manchetes descrevendo-o como um amolecimento na China, a Casa Branca emitiu uma declaração contundente dizendo que sua resposta sobre ter “dúvidas” havia sido mal interpretada pelos repórteres que cobriam a cúpula.

“O presidente Trump respondeu afirmativamente porque ele lamenta não elevar as tarifas ainda mais”, disse Stephanie Grisham, secretária de imprensa da Casa Branca, em um comunicado. Horas depois o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, insistiu que não deveria haver dúvida sobre a determinação de Trump.“Seu único segundo pensamento, como eu disse, talvez seja o de aumentar as tarifas”, disse Mnuchin.”

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