Michael Reynolds /EFE
Michael Reynolds /EFE

Trump impõe critérios políticos para tirar sobretaxa

Governo americano quer apoio dos países nas disputas na OMC para isentá-los das tarifas de importação de aço e alumínio

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 21h15

GENEBRA - O governo americano apresentou cinco exigências aos países que querem ser isentos da taxa para as importações de aço e alumínio. O detalhamento foi já apresentado a diplomatas japoneses, europeus e coreanos. Na avaliação de alguns negociadores, os critérios, no entanto, são mais políticos do que comerciais. E não ficou claro como os EUA vão controlar o cumprimento dessas exigências. 

A mais polêmica estabelece que os governos que querem evitar a taxação do aço precisam apoiar as disputas lideradas pelos Estados Unidos nos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC). A exigência deve criar uma saia-justa para várias chancelarias que, nos últimos meses, ensaiaram levar o governo americano a julgamento na entidade. Também seria uma medida complicada para países que, por motivos comerciais, não têm interesse de atacar o governo chinês.

Trump também quer que os governos sejam “parceiros” dos EUA em termos de segurança, condicionando aspectos comerciais a uma aliança no setor de defesa. Não ficou claro para os negociadores o que isso significaria de fato. Uma das críticas é de que as exigências, além de políticas, são amplas e subjetivas. 

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Mas os critérios estabelecidos pelo governo Trump também envolvem aspectos comerciais. Os americanos pedem um compromisso dos governos em um esforço mundial contra a produção em excesso no setor siderúrgico. Eles também querem garantias de que os países vão lugar contra o desvio de aço subsidiado de países de origem. A suspeita dos EUA é de, embora oficialmente a China diga que exporta apenas 2% do aço ao mercado americano, um volume muito maior é primeiro vendido a outros países e, dali, reexportado para o território americano. 

Por fim, o governo também passaria a monitorar o volume das exportações de aço para o mercado americano. Com base nisso, existe a possibilidade de que cotas sejam estabelecidas para cada exportador. O que passar desse volume seria sobretaxado. 

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Crítica. Mesmo após o detalhamento, os diplomatas europeus insistem que os critérios não estão claros e que não é possível saber o peso de cada argumento, nem que os monitoraria.

No fim de semana, a comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom, se reuniu com o representante de Comércio da Casa Branca, Robert Lighthizer. Ao sair do encontro, ela disse que Lighthizer não apresentou esclarecimentos suficientes. Longe da troca pública de acusações entre os governos, diplomatas de ambos os lados estão mantendo contatos nos bastidores para organizar um novo encontro ainda nesta semana. Desta vez, a reunião envolveria apenas os técnicos.

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