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REUTERS/Jonathan Ernst
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Trump impõe tarifa à importação de painel solar chinês

Medida faz parte da política America em Primeiro Lugar e deve se estender para os setores de aço e alumínio, alcançando o Brasil

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2018 | 23h09

WASHINGTON – O governo Donald Trump começou nesta terça-feira, 23, a implementar a política da América em Primeiro Lugar no comércio internacional, com a imposição de tarifas unilaterais de importação sobre painéis solares e máquinas de lavar roupa. Nas próximas semanas, serão anunciadas decisões sobre os setores de aço, alumínio e a prática de transferência compulsória de tecnologia.

As medidas foram acompanhadas de escalada retórica da administração americana contra a China. Na sexta-feira, 19, o governo declarou que foi um erro os Estados Unidos terem apoiado a entrada do país asiático na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma mudança radical da posição mantida por Washington nas últimas duas décadas.

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No relatório anual sobre cumprimento dos compromissos da China na OMC, o Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR) indicou que adotará mais medidas unilaterais contra Pequim, o que eleva o risco de confronto comercial entre as duas maiores economias do mundo. “A noção de que nossos problemas com a China podem ser resolvidos só com a apresentação de mais casos na OMC é no mínimo ingênua”, disse o documento. “Os Estados Unidos também tomarão outros passos necessários para conter práticas e políticas mercantilistas prejudiciais da China lideradas pelo Estado, mesmo quando elas não se enquadrem exatamente nas disciplinas da OMC.”

Ao assinar o ato sobre barreiras a painéis solares e máquinas de lavar, Trump disse que não vê ameaça de uma guerra comercial. “Nossas ações de hoje ajudam a criar empregos na América para americanos”, afirmou. Segundo ele, as tarifas de até 50% serão um “forte incentivo” para as sul-coreanas LG e Samsung fabricarem máquinas de lavar roupa nos EUA.

Brasil. No caso dos painéis solares, a tarifa inicial será de 30% e atingirá principalmente os produtores da China. O Brasil foi excluído das duas decisões, por ser um país em desenvolvimento que representa menos de 3% das compras dos produtos pelos EUA, disse o professor Aluisio de Lima-Campos, especialista em comércio internacional da American University.

Mas a situação poderá ser diferente no caso do aço, setor em que o Brasil responde por 14% das importações totais e 50% das de produtos semiacabados. Aberta para analisar o impacto das importações sobre a segurança nacional, essa investigação é a que tem maior potencial de atingir empresas brasileiras.

O advogado Pablo Bentes, do escritório Steptoe & Johnson, avaliou que as decisões adotadas ontem indicam a posição dos EUA em casos futuros. “A tendência é que continuem a buscar soluções unilaterais para problemas de comércio”, afirmou Bentes, que representou uma das companhias que importam painéis solares da China.

“Tudo está acontecendo e está acontecendo em ritmo acelerado. E vocês verão o que acontecerá nos próximos meses”, afirmou Trump. A decisão foi imposta no mesmo dia em que negociadores dos EUA, Canadá e México começaram a se reunir em Montreal para a penúltima rodada de renegociação do Nafta. Segundo Lima-Campos, em um gesto pouco usual, o México não foi excluído das tarifas sobre máquinas de lavar.

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