Jonathan Ernst / Reuters
Jonathan Ernst / Reuters

Trump: juros 'muito mais altos' nos EUA se devem a 'pensamento defeituoso' do Fed

No Twitter, presidente norte-americano volta a atacar o Federal Reserve e pede que órgão 'corrija isso'

Monique Heemann, Silvana Rocha e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 10h39

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na manhã desta sexta-feira, 19, no Twitter, que "por causa do processo de pensamento defeituoso que temos no Federal Reserve (Fed, equivalente ao banco central dos Estados Unidos), pagamos taxas de juros muito mais altas do que países que não são páreo para nós economicamente".

Trump não especificou a quais países se referia. Mesmo assim, reiterou que "nossos custos de juros são muito mais altos do que outros países, quando deveriam ser mais baixos". O presidente fez, ainda, um pedido: "corrijam isso!".

As declarações representam mais uma rodada de Trump ao Fed. O presidente deseja que o órgão corte juros no país para estimular a economia e já chegou a caracterizar o banco central americano como "maior ameaça" à atividade nos EUA. Atualmente, a taxa básica dos Fed funds está na faixa entre 2,25% e 2,50%.

Debate sobre juro guia ativos externos e reverbera no Brasil

A movimentação entre Trump e FED deve reverberar no Brasil e guiar o mercado local, que observa uma agenda fraca nesta sexta, com o recesso no Congresso.

Os índices futuros em Nova York, os juros dos Treasuries e o dólar se fortalecem, refletindo os ajustes após a das apostas com essa provável redução das taxas, para 0,25 ponto base. A movimentação começou na noite desta quinta, após um porta-voz do Fed ter dito que o discurso de mais cedo do presidente da regional, John Williams, foi "acadêmico" e "não era sobre potenciais ações de política na próxima reunião". Durante a tarde, Willians comentou a necessidade de tomar "medidas rápidas" em um cenário "desafiador" como o atual,  e que isso seria uma resposta a "condições econômicas adversas".

A fala embalou o apetite por ativos de risco, em meio ao aumento das apostas em um corte, para cerca de 70% no CME Group, agressivo, de 0,50 ponto base, do juro americano. No câmbio doméstico, a reação foi de ampliação da queda do dólar, que fechou aos R$ 3,7290, no menor patamar desde 19 de fevereiro, enquanto o Ibovespa retomou os 104 mil pontos.

Através do Twitter, Trump também repercutiu as falas de Williams e afirmou "gostar mais da primeira declaração" do dirigente da instituição, que, para ele, seria "100% correta em que o Fed 'elevou'" os juros básicos "rápido e cedo demais".

Trump falou da "primeira declaração" após das declarações de um porta-voz do Fed de Nova York, que classificou os comentários de Williams como inseridos em um contexto de pesquisa acadêmica e não diziam respeito à atual condução da política monetária nos EUA. 

"Também tem de se parar o louco aperto quantitativo", continuou Trump. "Esta é a nossa chance de construir riqueza e sucesso sem paralelos para os EUA, crescimento que reduziria enormemente a dívida (como porcentagem do PIB). Não a estraguem!", acrescentou. A mais nova sequência de tuítes críticos ao banco central terminou com o presidente americano dizendo ao Fed que "quase não há inflação".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.