Win McNamee / AFP
Win McNamee / AFP

Trump vai elevar tarifas de produtos chineses; bolsas europeias e asiáticas caem com anúncio

Presidente americano anunciou que taxa de 10% sobre US$ 200 bi vai subir para 25% nesta sexta-feira; China pode abandonar negociações, diz fonte

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2019 | 22h52
Atualizado 06 de maio de 2019 | 10h23

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a pressão sobre a China no domingo para alcançar um acordo comercial ao anunciar pelo Twitter que a tarifa de 10% imposta a US$ 200 bilhões em bens chineses subirá para 25% na sexta-feira, dia 10. Nesta segunda-feira, 6, as principais bolsas europeias caíam mais de 2% em razão das ameaças do americano.

O DAX de Frankfurt perdia 2,1%, a 12.145,37 pontos às 08h55 GMT (5h55 em Brasília), enquanto o CAC 40 de Paris caía 2,2%, a 5.425,36 pontos. Em Madri, o Ibex 35 perdia 1,62%, enquanto o FTSE-100 de Londres está fechado por razão de um feriado.

Os principais índices acionários da China mostraram sua maior queda em mais de três anos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, e o índice Xangai caíram mais de 5% cada, registrando sua maior queda em um único dia desde fevereiro de 2016. Cerca de mil empresas despencaram o limite máximo permitido de 10% no dia.

Em Tóquio, o índice Nikkei permaneceu fechado. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 2,90%, a 29.209 pontos. Em Xangai, o índice SSEC perdeu 5,58%, a 2.906 pontos. 

Trump havia adiado esse aumento, citando negociações comerciais produtivas com o país asiático. O anúncio de domingo, porém, lança dúvidas sobre as expectativas anteriores de que Washington e Pequim estariam se aproximando de um acordo para encerrar uma guerra comercial de meses, que desacelerou o crescimento global e abalou os mercados financeiros.

“Por dez meses, a China pagou tarifas de 25% para os Estados Unidos sobre US$ 50 bilhões em produtos de alta tecnologia e 10% sobre US$ 200 bilhões referentes a outros bens e produtos. Esses pagamentos são parcialmente responsáveis por nossos excelentes resultados econômicos. A tarifa de 10% será elevada para 25% na sexta-feira”, escreveu Trump.

Segundo o presidente americano, US$ 325 bilhões de bens adicionais comprados pelos americanos dos chineses permanecem sem cobrança de tarifas, mas serão tarifados em breve em 25%. “As tarifas pagas aos Estados Unidos têm tido um pequeno impacto no custo dos produtos, em sua maior parte gerados pela China. As negociações comerciais continuam, mas muito lentamente, enquanto eles tentam renegociar. Não!”

Dúvida

As negociações comerciais EUA-China estavam previstas para serem retomadas nesta semana com o vice-premiê chinês, Liu He, viajando a Washington. Isso ocorre após conversas em Pequim em abril, avaliadas como “produtivas” pelo secretário do Tesouro dos americano, Steven Mnuchin. Ainda na sexta-feira, Donald Trump também havia dito que as negociações iam bem.

Após o anúncio do presidente americano, Pequim estaria considerando se retirar das negociações programadas para continuar nesta semana, de acordo com fontes próximas ao assunto. “A China não deve negociar com uma arma apontada para a cabeça”, disse a fonte. / Agências internacionais

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