Truques caseiros não ajudam a economizar energia

Preocupados com a contenção nos gastos com energia elétrica, os consumidores tentam de tudo para economizar. Garrafas plásticas com água em cima dos relógios e ímãs próximos às agulhas são duas das medidas para tentar uma redução nas contas. Ambas são consideradas mitos pelos técnicos.Outras medidas, essas ilegais, que sujeitam seus autores a multas e processos judiciais, são as ligações irregulares, mais conhecidas como "gatos", em que há fraude nos relógios de medição, em geral feitos por alguém com certo conhecimento técnico.A Eletropaulo Metropolitana calcula que 200 mil dos 4,6 milhões de ligações de São Paulo sejam clandestinas, o que acarreta um prejuízo mensal de R$ 7,2 milhões à companhia. Em geral, as ligações clandestinas são feitas, de forma ostensiva, em áreas ocupadas irregularmente, mananciais. Os "gatos" são mais sofisticados e difíceis de detectar."Descobrimos ´os gatos´ por meio de uma análise de contas e do perfil do consumidor. Se há uma diminuição brusca do consumo ou se, por exemplo, uma padaria gasta 2 quilowatts por dia, esses são indícios de adulteração", explicou o vice-presidente da Eletropaulo, José Cheren. Flagrado, o consumidor receberá uma multa proporcional ao seu consumo normal.Cuidado com estratégias falsas de economiaA dona de casa Sueli Lopes, de 43 anos, jura que passou a gastar menos energia elétrica depois de colocar as garrafas plásticas sobre o relógio. "Antes, pagava R$ 76,00 para as três casas. Hoje, a minha conta sai em média por R$ 24,00 e era eu quem gastava mais", contou ela, que vive com outras quatro pessoas.As empresas e condomínios também usam novas estratégias para economizar. O eletricista Rogério Pinto Coelho, de Santo Amaro, zona sul, comentou que empresas e condomínios o têm procurado para trocar lâmpadas comuns por fluorescentes e instalar temporizadores em aquecedores. "Quando me pedem para fazer ´gato´, digo que é possível fazer, mas não vale a pena porque a fiscalização pega mesmo", contou. A Eletropaulo espera diminuir em 50 mil o número de ligações clandestinas nesse ano. "Estamos fazendo a regularização de áreas e esperamos começar o próximo ano com um número muito inferior de ligações clandestinas em áreas de mananciais", disse Cheren.

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