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Tsipras acredita em acordo com credores

Primeiro-ministro grego muda a equipe de negociação e diz, em entrevista para rede de televisão, que acordo deve sair até 9 de maio

O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2015 | 02h05

ATENAS - O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse ontem estar confiante em um acordo com credores internacionais dentro de duas semanas, depois de mudar a equipe de negociação e deixar de lado o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis.

Tsipras também afirmou que terá de recorrer a um referendo se os credores insistirem em exigências consideradas inaceitáveis por seu governo, eleito com o objetivo de revogar medidas de austeridade.

A Grécia deve ficar sem dinheiro dentro de algumas semanas, mas as negociações com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o fornecimento de mais ajuda estão mergulhadas em um impasse por causa das demandas dos credores de que o país faça reformas, incluindo cortes de pensões e a liberalização do mercado de trabalho.

Em sua primeira grande entrevista na televisão desde que foi eleito em janeiro, Tsipras disse que espera um acordo com os credores até 9 de maio, três dias antes do vencimento de uma parcela da dívida com o FMI de cerca de 750 milhões. Ele descartou um default, mas enfatizou que a prioridade é pagar salários e pensões.

Os mercados financeiros gregos e o euro se revigoraram na segunda-feira na esperança de que o rebaixamento do ministro Varoufakis, um acadêmico marxista propenso a repreender seus pares da zona do euro, iria melhorar as perspectivas de um acordo em breve para evitar o calote que poderia levar à saída da Grécia da moeda comum.

Questionado sobre as opções caso não se chegue a um acordo, Tsipras afastou a possibilidade de eleições antecipadas, mas disse que o governo não tem o direito de aceitar exigências que estejam fora dos limites do seu mandato e, por isso, teria de pedir aos gregos que decidam.

"Se a solução estiver fora do nosso mandato, não terei o direito de violá-lo, portanto, a solução a que chegaremos terá de ser aprovado pelo povo grego", disse o premiê à televisão Star. "Mas estou certo de que não vamos chegar a esse ponto.."

Tsipras disse que a Grécia está na reta final das negociações, apesar das diferenças sobre questões-chave, como a reforma trabalhista, cortes nas pensões e uma proposta de aumento de impostos sobre ilhas turísticas populares. Ele disse esperar que um acordo inicial sobre as reformas saia esta semana ou na próxima, e que as vendas de ativos seriam parte das concessões oferecidas, incluindo dois itens principais - a venda do porto de Pireu e o contrato de locação de 14 aeroportos regionais. / Agências Internacionais

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