REUTERS/Yves Herman
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Premiê grego denuncia 'chantagem' enquanto União Europeia alerta sobre 'fim de jogo'

Grécia precisa fechar um acordo no final de semana para evitar calote ao Fundo Monetário Internacional na terça-feira

RENEE MALTEZOU E JULIEN PONTHUS, REUTERS

26 de junho de 2015 | 11h58

BRUXELAS - O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, acusou credores internacionais de "chantagem" nesta sexta-feira, 26, depois que parceiros da zona do euro ofereceram liberar bilhões de euros em ajuda bloqueada em um esforço de última hora para fazer com que ele aceite um acordo de reformas em troca de dinheiro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, se reuniram com Tsipras em uma cúpula da União Europeia (UE) para convencê-lo a aceitar uma oferta para encher os cofres vazios de Atenas até novembro em troca de reformas dolorosas em impostos e aposentadorias.

Se a Grécia não fechar um acordo no final de semana para liberar os recursos, o país dará o calote ao Fundo Monetário Internacional (FMI) na terça-feira, possivelmente desencadeando uma corrida aos bancos, controles de capital e levantando dúvidas sobre seu futuro na zona do euro.

No entanto, Tsipras soava desafiador ao deixar a cúpula, dizendo a repórteres que a Grécia lutará pelos princípios europeus de democracia, solidariedade, igualdade e respeito mútuo.

"Esses princípios não foram baseados em chantagens e ultimatos", disse ele em inglês. No entanto, ele não descartou aceitar um acordo e autoridades disseram que contatos intensos nos bastidores continuam em busca de um compromisso de última hora.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, rebateu: "Não é chantagem política quando repetimos dia após dia que estamos muito perto do dia (30 de junho) em que o jogo acaba".

Tsipras irá voltar a Atenas para fazer reuniões com seu gabinete e seu partido sobre os próximos passos.

Merkel disse que ela e Hollande pediram a ele, em uma reunião particular de 45 minutos, que aceite a oferta "generosa" dos credores.

"Demos um passo na direção da Grécia", disse ela. "Agora cabe ao lado grego dar um passo similar".

Os credores definiram os termos em um documento que foi enviado à Grécia na quinta-feira. Ele diz que a Grécia pode ter 15,5 bilhões de euros em financiamento da UE e do FMI em quatro parcelas para sustentar o país até o final de novembro, incluindo 1,8 bilhão de euros até terça-feira assim que o Parlamento de Atenas aprovar o plano.

O total é um pouco mais do que a Grécia precisa para o serviço de suas dívidas durante os próximos seis meses, mas não contém dinheiro novo.

Os ministros de Finanças do Eurogrupo vão se reunir às 9h (horário de Brasília) no sábado e a Grécia será questionada se aceita a oferta revisada da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do FMI, disse uma autoridade da zona do euro.

Se a Grécia recusar, os ministros vão passar a discutir um "Plano B", preparando-se para limitar o dano do calote da Grécia a bancos gregos e outros países e mercados da zona do euro, disse a autoridade.

(Reportagem adicional de Matthias Sobolewski em Berlim, Jan Strupczewski e Andreas Rinke em Bruxelas)

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