Andrea BonettiAFP
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Tsipras reabre negociação da dívida com credores

Após vencer as eleições e voltar ao cargo de primeiro-ministro na Grécia, Tsipras diz que estabilidade econômica é prioridade

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 22h09

PARIS - O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, confirmou nesta segunda-feira a formação de um novo gabinete de coalizão com a direita nacionalista, livrando-se da pressão imposta pela ala ultrarradical de seu partido, a Coalizão Radical de Esquerda (Syriza), contrária às reformas econômicas exigidas pela União Europeia. Tsipras venceu as eleições de domingo com folga, com 35,46% dos votos, mas não foi capaz de formar um governo de maioria absoluta. Ainda assim, o premiê anunciou sua prioridade: finalizar a renegociação da dívida com os credores internacionais.

O resultado foi interpretado em Atenas como uma lição de política por parte de Tsipras. Pela terceira vez no ano, o líder radical de esquerda venceu um pleito - além da eleição legislativa de janeiro, havia ganho o referendo sobre austeridade em julho. De quebra, o premiê marginalizou a ala ultrarradical de seu primeiro governo, que, formando um novo partido, o Unidade Popular, não conseguiu chegar a 3% dos votos e não integrará o Parlamento. 

Para governar, Tsipras confirmou o convite feito ao líder do partido nacionalista de direita Gregos Independentes (Anel), do ex-ministro da Defesa Panos Kamenos. A aliança garantirá um total de 255 votos no congresso, cinco a mais do que a maioria necessária.

O primeiro desafio, segundo o primeiro-ministro, será arrancar dos credores internacionais - Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - a renegociação da dívida do país, de ¤ 301,5 bilhões. Para tanto, Tsipras conta com o apoio da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. 

O fundo condiciona a injeção de recursos no terceiro programa de socorro, de ¤ 85 bilhões, à sustentabilidade da dívida, hoje em 168,8% do PIB. O ideal, diz Lagarde, é que o montante não ultrapasse os 120% do PIB, mas o governo da Alemanha é contrário ao corte de dívidas, aceitando o reescalonamento e o aumento do prazo de carência. 

Estabilidade. “O objetivo imediato do próximo período é restabelecer plenamente a estabilidade da economia e das atividades bancárias e ampliar o terreno que nós ganhamos nas negociações”, afirmou Tsipras, garantindo que pedirá o apoio dos demais partidos gregos por mais estabilidade política. 

Apesar da vitória, o novo governo de Tsipras terá pelo menos dois críticos implacáveis no plano interno. O primeiro será seu oponente de direita nas eleições de domingo, o conservador Vangelis Meimarakis, líder da Nova Democracia (ND), que obteve 28,1% dos votos, mantendo o posto de segunda força política do país. O segundo é a extrema esquerda, cujo líder informal é o ex-ministro de Finanças Yanis Varoufakis, que até julho integrava o gabinete radical de esquerda.

Nesta segunda-feira, Varoufakis, transformado em estrela de partidos antiausteridade e antissistema na Europa, disparou contra a vitória de seu ex-chefe, desqualificando seu sucesso eleitoral. “O maior vencedor é a própria Troica”, afirmou em artigo publicado pelo jornal The Guardian, no qual se referiu ao grupo de técnicos que representa os interesses dos credores internacionais. “Durante os últimos cinco anos, as receitas da Troica passaram pelo parlamento com governos de maiorias muito estreitas. Agora, as receitas necessárias para sustentar o terceiro resgate vão passar com maiorias confortáveis, já que o Syriza está comprometido com eles.”

Já para o cientista político grego Georges Prevelakis, professor da Universidade Panthéon Sorbonne, de Paris, a vitória é mérito do primeiro-ministro, que, apesar da intensa crise, soube se impor na paisagem política como um dos líderes da esquerda da União Europeia. “A personalidade de Alexis Tsipras, que encarna o slogan de rejuvenescimento da vida política e a ruptura com o passado clientelista, desempenhou um papel importante na vitória.”

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