Tudo azul entre Argentina e o FMI

Está tudo azul nas negociações entre o governo argentino e o Fundo Monetário Internacional. Pelo menos esta foi a definição dada à Agência Estado por uma fonte do Ministério de Economia bastante familiarizada com os termos populares brasileiros. O FMI aceitará o pedido de perdão (waiver) do governo por falta de cumprimento de duas metas que tinham sido comprometidas no atual acordo: a suspensão das execuções hipotecárias e a prorrogação de algumas isenções e/ou reduções de impostos do chamado plano de competitividade, implementado pelo ex-ministro de Economia, Domingo Cavallo, em 2001. Os acertos foram feitos em uma reunião, no início da noite desta quinta-feira, entre a missão do FMI e o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, o vice-presidente do Banco Central, Pedro Lacoste, o sub-diretor do Departamento Hemisfério Ocidental do FMI, John Dodsworth, o auditor chefe do caso argentino, John Thornton, e o delegado do governo argentino junto ao FMI, Guillermo Zocalli. A negociação abre as portas para a aprovação da segunda revisão do atual acordo que vencerá em 31 de agosto próximo e à elaboração da carta de intenções do próximo acordo.Os ventos sopram a favor da Argentina para que o novo acordo com o FMI seja mais amplo e envolva até mesmo algum dinheiro novo para o país. O diretor do Hemisfério Ocidental do organismo, Anoop Singh, abandonou sua postura severamente crítica à Argentina ao dizer que a evolução da economia tem sido "muito mais favorável do que qualquer um tivesse previsto há somente seis meses". Ontem, em Nova York, Singh afirmou ainda que para a Argentina ter condições de realizar as reformas estruturais (sistemas financeiro e fiscal) pendentes, necessita de um acordo plurianual. Segundo a fonte, o ministro de Economia, Roberto Lavagna, prefere um acordo curto, de setembro a dezembro deste ano, e deixar a discussão de longo prazo para janeiro de 2004, porque considera que seu cumprimento será mais factível acompanhando passo a passo a evolução da economia. Com isso, Lavagna quer evitar novos pedidos de perdão e de atualização de metas por considerar que isso afeta a credibilidade do governo que recém começa sua gestão. Para Anoop Singh, é prematuro especular sobre o próximo acordo, embora tenha defendido que "um acordo de médio prazo seria a melhor forma de levar adiante as reformas necessárias e conseguir um crescimento sustentável". Porém, não descartou a possibilidade de prolongar o atual acordo até dezembro, como deseja Roberto Lavagna. Na verdade, uma nova carta de intenções de curto, médio ou longo prazos, não é o assunto que preocupa o Ministério de Economia, mas sim o recado enviado pelo sub-secretário do Tesouro norte-americano, John Taylor. Durante sua participação no Conselho das Américas, Taylor disse que Argentina precisa de um acordo "substancial " em vez de outro de transição. "Quando falo de substancial, não me refiro ao tamanho do acordo, mas às políticas a adotar; o foco atual da Argentina, em políticas fiscal e monetária é positivo, mas é um programa de transição, no sentido que depois ia ter um que impulsione o crescimento de uma forma mais sustentada".Na equipe econômica estima-se que desta vez, o governo norte-americano possa não apoiar a Argentina para ajudar a destravar eventuais portas que o FMI possa fechar durante as negociações, como ocorreu durante todo o ano passado até se chegar ao mini-acordo atual de seis meses. Isso por causa da postura do governo de não votar pela condenação de Cuba e pelo claro alinhamento de Néstor Kirchner com o Brasil e o Mercosul, em detrimento da Alca. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, se reunirá na próxima semana, em Buenos Aires, com o presidente Néstor Kirchner para discutir "assuntos chaves" da agenda regional e bilateral, segundo informou um comunicado oficial da chancelaria dos Estados Unidos na Argentina. O futuro bem próximo do novo acordo com o FMI deverá fazer parte da agenda.

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