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Tudo encalhado. E a produção pára

Fabricantes de aço, de produtos químicos, de máquinas e de papel e celulose cortam a produção para baixar estoques

Márcia De Chiara e Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

O aumento de estoques na indústria já tira o sono dos empresários. Além de encontrar um local adequado para armazenar os produtos encalhados, eles se preocupam em frear a produção, concedendo férias coletivas aos funcionários e cortando turnos de trabalho para evitar que os estoques aumentem ainda mais.Os produtores de frango, por exemplo, já recorrem a caminhões frigoríficos para estocar o excesso de aves que não chegou a ser exportado. O Japão, principal país comprador do frango brasileiro, tem 100 mil toneladas de produto estocado. "Isso equivale a um trimestre de consumo", diz o diretor da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango, Christian Lohbauer. Para ajustar os estoques, a entidade recomendou aos avicultores o corte de 20% na produção a partir deste mês.A Fiat também recorreu a um local inusitado de armazenagem. Em novembro, a empresa alugou a pista do aeroporto de Oliveira (MG) para acomodar o estoque excessivo de carros.A freada nas vendas de veículos provocou aumento nos estoques das siderúrgicas. Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, observa que esse movimento não foi provocado apenas pelas montadoras. Fabricantes de eletrodomésticos, construção civil, móveis e implementos agrícolas também reduziram as compras de aço. Diante da queda nas vendas e do aumento de estoques, "todo mundo está jogando com as férias para evitar demissão e esperar o ano que vem, que, eventualmente, poderá ser melhor".A Frefer Metal Plus, por exemplo, a segunda maior distribuidora de aço,decidiu dar férias coletivas de duas semanas neste mês aos funcionários de 10 das 12 filiais. "Desde a década de 90, não tínhamos férias coletivas", diz o diretor, Christiano da Cunha Freire. Desde novembro, a empresa cortou o terceiro turno dos funcionários na tentativa de se ajustar à nova realidade de mercado. Em outubro, chegou a ter três meses e meio de estoques, quando o normal é três meses.A celulose é outra commodity que teve aumento nos estoques. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que 16% das indústrias do setor informaram estar com excesso de estoques do produto em novembro. No mesmo período do ano passado, nenhuma delas estava nessa condição.A presidente executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth Carvalhaes, confirma os números da FGV, mas diz que a estocagem alta da celulose se concentra nos fabricantes de papel. No mundo, eles acumulam atualmente 1,5 milhão de toneladas de celulose, quando a média histórica é de 1,2 milhão. Os produtores de celulose, por sua vez, pararam a produção a partir de outubro e estão hoje com volumes adequados à demanda menor. "Entre outubro e novembro, os fabricantes mundiais deixaram de produzir 2 milhões de toneladas."A história se repete na indústria química. Desde a semana passada, a Braskem, líder na fabricação de resinas plásticas na América Latina, parou duas linhas de produção, uma na fábrica de Camaçari (BA) e outra na unidade de Triunfo (RS). A parada na produção, que deve durar até o fim do mês, foi para enxugar os estoques da matéria-prima, que subiram de 40 para 55 dias. Essas resinas são usadas na produção de embalagens, de componentes automotivos e de utilidades domésticas.A pesquisa da FGV aponta que o porcentual de empresas do setor químico que se declararam com excesso de estoques atingiu 5% no mês passado, ante 1% em igual período de 2007. A estimativa do desajuste feita pelo vice-presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Nelson Pereira dos Reis, é maior. Ele calcula que 10% das empresas do setor estão com estoques acima do desejável. "A indústria de fertilizantes está com muito produto, assim como as centrais petroquímicas." Na Lanxess, outra empresa do setor químico, líder em pigmentos usados na construção civil, os estoques da unidade de Porto Feliz (SP) estão 3% acima do normal. "O volume ainda não é crítico", afirma o diretor financeiro da Lanxess no Brasil, Marcio Catistti. Mas, segundo ele, preocupada, a empresa decidiu dar duas semanas de férias coletivas aos empregados da unidade para controlar os estoques.MÁQUINAS O sinal amarelo dado pelos empresários da indústria de que vão cortar os investimentos em 2009 começou a piscar nos indicadores dos fabricantes de máquinas e equipamentos destinados a vários setores. Em outubro, o faturamento de 1.200 empresas fabricantes de máquinas caiu 10% em relação a setembro, quando o comportamento normal para o período é de um acréscimo de 5%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq). Ao que tudo indica, a freada no setor de máquinas, um forte indicador antecedente do investimento, vai continuar. Pesquisa preliminar da Abimaq com cerca de 100 empresas revela que a carteira de pedidos de novembro, que sinaliza o faturamento dos próximos meses, recuou 30% ante outubro.A queda no volume de encomendas, diz o vice-presidente da entidade, Fernando Bueno, ocorreu principalmente por causa de cancelamento de pedidos existentes, o que ele considera mais grave. Além disso, houve um volume menor de novas encomendas. "A maior concentração no corte da carteira de pedidos colocados foi registrada no segmento de máquinas e equipamentos para produção de açúcar e álcool e de mineração, segmentos nos quais o Brasil é um grande exportador." Pesquisa da FGV revela que 18% das indústrias de bens de capital estavam com estoques excessivos de máquinas em novembro, ante 4% em 2007.O quadro também é crítico entre os fabricantes de máquinas agrícolas. A Marchesan, por exemplo, que produz implementos e máquinas agrícolas com a marca Tatu, acumula estoques 30% acima do normal, diz o superintendente da companhia, João Marchesan. Para enxugar o grande volume de produtos, a empresa está tentando ampliar as exportações, mas encontra dificuldades em razão da falta de crédito. "ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) é como Deus, todo mundo sabe que existe, mas ninguém vê", brinca o empresário. Além disso, a empresa está liberando os funcionários que têm férias vencidas.

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