Tudo indica que a crise é de grandes proporções, diz Mantega

Ministro da Fazenda destaca situação sólida do Brasil, mas diz que inevitável que mercado seja afetado

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

17 de março de 2008 | 15h53

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta segunda-feira, 17, que a crise externa nos mercados financeiros é de grandes proporções. "A cada dia ela parece um pouco maior. Alguns já começam a falar numa crise parecida com a de 29", disse, em nova entrevista, na portaria do ministério. O ministro voltou a afirmar que o Brasil está sólido, é um porto seguro e pode passar pela crise com a menor conseqüência possível. Veja também:BCs injetam recursos para socorrer bancosCrise no mercado global está maior, diz diretor-gerente do FMIJPMorgan compra o Bear Stearns por US$ 236 milhões Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar Veja os efeitos da desvalorização do dólarJPMorgan e Fed intervêm para socorrer seguradora dos EUA    Mantega admitiu que poderá haver saída de capital externo por meio de instituições financeiras que precisam cobrir "buracos" lá fora, mas reforçou que não há repercussões no investimento, consumo e atividade econômica no Brasil em decorrência da crise. "As conseqüências são esses movimentos no mercado de renda variável", afirmou. Ele afirmou porém, que as ações do banco central norte-americano podem ajudar os mercados. "Acredito que as medidas do Fed, como a redução da taxa de redesconto em 0,25 ponto e a reunião de amanhã, onde certamente haverá nova queda das taxas de juros, poderão acalmar os mercados", disse. O ministro destacou que a economia brasileira tem rápida capacidade de recuperação. Ele avaliou ainda que o Brasil continua merecendo a confiança dos investidores e lembrou que o jornal inglês The Guardian publicou reportagem mostrando que o Brasil é um porto seguro. "Estamos no porto seguro. É claro que algumas conseqüências acontecem aqui no Brasil, mas nós poderemos passar por essa crise com as menores conseqüências possíveis", avaliou. Juros Apesar de admitir o agravamento da crise, o ministro afirmou que não há necessidade de aumento dos juros no Brasil por conta da turbulência. "Aqui no Brasil, não há necessidade de aumentar os juros. Pelo contrário, as taxas de juros estão baixando. Nos EUA, elas baixaram", disse. Segundo ele, a preocupação é com o impacto da crise no nível de atividade e no crédito. Ele acrescentou que há um grande problema de crédito, referindo-se à crise internacional, e o que deve ser feito é impedir que esse problema se espalhe. "Isso é tarefa dos BCs americano e europeu, frear a extensão da crise e o contágio de todas as economias."  'Situação delicada' Segundo fontes, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros do grupo de Coordenação Política,Mantega, afirmou que o governo está atento à crise do mercado externo e às suas possíveis repercussões na economia brasileira, informaram há pouco participantes do encontro. Segundo relato dessas fontes, ele voltou a advertir que a situação econômica internacional "é delicada" e mencionou, como evidência disso, a quebra do banco Bears Sterns, que acaba de ser comprado pelo JP Morgan. Mantega, de acordo com o relato, afirmou na reunião, realizada no Palácio do Planalto, que têm sido "produtivos" os resultados das medidas que o governo adotou na área cambial com o objetivo de incentivar as exportações, prejudicadas pela desvalorização do dólar em relação ao real. Segundo o ministro da Fazenda, a situação da economia brasileira, apesar do quadro internacional, "é bastante positiva". Mantega mencionou como fatos recentes favoráveis à economia brasileira aprovação do Orçamento da União de 2008 pelo Congresso e o crescimento de 5,4% da economia em 2007, divulgado na semana passada.  (com Leonencio Nossa, do Estado de S. Paulo)

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