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Tupi não altera negociações com Brasil, diz Bolívia

Repercussão da megarreserva na imprensa do país é modesta

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A comprovação de reservas gigantes no campo de Tupi, na Bacia de Santos, repercutiu na imprensa boliviana, ainda que sem o destaque conferido à crise política que assola o país. Dos sete diários de circulação nacional, quatro publicaram reportagens sobre o assunto, na maior parte dos casos citando agências internacionais. Não houve, porém, análises sobre o impacto da descoberta nas negociações para a retomada do investimento brasileiro no mercado boliviano de gás natural.O jornal Opinión, de La Paz, destacou o tema entre as principais notícias de sua página da internet, com o título "Nova jazida de petróleo dá ao Brasil grande perspectiva". Acompanhada de um quadro comparativo entre as reservas brasileiras, da Venezuela e da Nigéria, a reportagem ressaltava o fato de o governo ter promovido mudanças na 9ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) "alegando interesse nacional".O El Diario, também da capital, lembrou que análises feitas pela estatal brasileira em toda a região do pré-sal podem expandir significativamente as reservas brasileiras. O jornal, porém, deu mais destaque à cobrança, pela Petrobrás, de garantias para retomar os investimentos na Bolívia. Citando fontes do setor, a reportagem intitulada "Petrobrás pede garantias antes de investir no país" diz que a companhia não quer ver, no futuro, a repetição de quebras de acordos dos últimos anos.Com reconhecida cobertura do setor petrolífero, o El Deber, de Santa Cruz de la Sierra, deu apenas uma nota sobre a descoberta. O La Razón, de La Paz, também foi econômico, com reportagem intitulada "Brasil confirma jazidas que aumentam suas reservas". A cobertura boliviana limitou-se a divulgar o anúncio feito pela estatal, sem maiores análises.O fato é que não se acredita, no país, que a comprovação do campo de Tupi terá influência nas negociações entre Petrobrás e YPFB. "No curto prazo, não há qualquer impacto, pois se trata de um projeto que precisa de muito investimento e longo tempo de maturação", diz o analista político Gonzalo Chávez, da Universidade Católica Boliviana (UCB). "Além disso, nos parece que é um campo mais de petróleo e não de gás", completa. Analistas locais acreditam que a iminência da importação de gás natural liquefeito (GNL) deve ter maior peso nas conversas entre os dois países do que as reservas do pré-sal. "Com o GNL, a Petrobrás reduz um pouco a dependência da Bolívia e isso pode ser colocado na mesa de negociação", diz um executivo do setor. ARGENTINAOs jornais argentinos deram amplo destaque à descoberta de petróleo no Brasil. Embora o conflito entre Uruguai e Argentina acerca das operações da empresa finlandesa Botnia tenha dominado as manchetes, o Clarín, principal diário argentino, encontrou espaço em sua capa para estampar que a descoberta brasileira é uma mudança para a região: "Brasil descobre uma grande reserva petrolífera no mar de São Paulo. Aumenta em 50% suas reservas e é um fruto de um investimento de US$ 1 bilhão. Deste modo, Brasil poderia chegar a ser um forte exportador". O Ámbito Financiero colocou o assunto como principal de sua primeira página e estampou em letras garrafais: "Lulaço-Brasil descobriu jazida de petróleo que supera a totalidade de reservas argentinas".O jornal britânico Financial Times disse que a descoberta poderá elevar as reservas de petróleo do Brasil em até 62% e "quase colocar Tupi lado a lado das reservas comprovadas da Noruega, de 8,5 bilhões de barris". O FT observou que o tamanho de Tupi equivale a três quartos do campo Kashagan, do Cazaquistão, com 12 bilhões de barris de petróleo recuperável, maior descoberta dos últimos 30 anos no mundo.Nas duas últimas décadas, houve apenas algumas descobertas que podem ser comparadas à do campo de Tupi. Como exemplos, Andy Latham, vice-presidente de serviços de exploração da consultoria Wood Mackenzie, citou o campo Shtokman, na Rússia, com 23 bilhões de barris de equivalente de petróleo, e duas outras descobertas russas na faixa entre 5 bilhões e 10 bilhões de barris.

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