Tupi vai mudar indústria do petróleo

Com descoberta do megacampo, peso do setor no PIB industrial subirá de 16% para 20% já na próxima década

Nilson Brandão Junior, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O megacampo de petróleo e gás de Tupi, descoberto pela Petrobrás na Bacia de Campos, provocará uma mudança estrutural na indústria brasileira. Um cálculo preliminar do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indica que a capacidade da indústria fornecedora do setor terá de aumentar duas vezes e meia para atender à expansão do setor entre 2013 e 2025.Estimativa do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) é de que o peso do setor de petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) industrial avançará de 16% para 20% já no começo da próxima década."O megacampo muda toda a estrutura industrial. Vamos ter uma indústria muito mais voltada para a demanda do setor do petróleo. Até então, o País havia descoberto campos gigantes, este agora é um campo supergigante", afirma o professor do IE/UFRJ Adilson de Oliveira. O especialista é autor de um estudo para o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo (Prominp), com o objetivo de analisar a capacidade da indústria brasileira de atender ao crescimento do setor de petróleo no País.O trabalho, concluído antes do anúncio da megadescoberta, indicava que o setor faria encomendas de máquinas e equipamentos no valor de US$ 100 bilhões entre 2013 e 2025 - o período posterior ao plano de investimentos atual da Petrobrás, que vai até 2012. Inclui as necessidades das empresas do setor estimadas para o período. A pedido do Estado, Oliveira projetou que a nova descoberta, caso confirmada no potencial anunciado, deverá ampliar em 50% essas encomendas. Assim, com base na estimativa preliminar, as projeções são de que os investimentos na compra de maquinário subiriam para US$ 150 bilhões no período. Segundo o especialista, as projeções iniciais já levavam em conta novas descobertas para o período analisado, mas não na proporção das anunciadas.As projeções iniciais mostravam que a produção do País cresceria dos atuais 1,8 milhão de barris por dia para 4,5 milhões a 5,2 milhões de barris por dia no fim do período. Nessa perspectiva, seria preciso construir 7 mil quilômetros de gasodutos, 43 plataformas de exploração no Brasil e 8 no exterior e 56 navios. A produção de equipamentos levaria a uma demanda de aço de 40 milhões a 50 milhões de toneladas ao ano. A produção de bombas teria de duplicar de 4,5 mil para 9 mil ao ano no período e a de tubos, de 80 mil para 170 mil toneladas."Isso dá uma idéia do efeito que isso tem", afirma Oliveira. Com a megadescoberta, caso confirmada, essa demanda, originalmente prevista, seria superada. Segundo ele, a indústria nacional tem capacidade para atender a demanda atual, mas será preciso ampliá-la fortemente e investir em inovação tecnológica. "Isso poderá acontecer por meio do aumento da capacidade das empresas atuais e pela chegada de novas empresas ao País."Especialistas em indústria nas universidades tentam estimar os efeitos das novas descobertas e da expectativa de produção na estrutura da indústria. Além do aumento do peso direto do petróleo na economia, o setor tem influência indireta, principalmente pela contratação de máquinas e equipamentos. O Grupo de Indústria do IE/UFRJ já começou a analisar o assunto. Especialistas avaliam que a indústria nacional poderá virar exportadora para o setor na América do Sul e África.O assunto já está no radar do governo. Mesmo antes do anúncio de Tupi, a capacidade da indústria brasileira de atender ao setor do petróleo já vinha sendo discutida. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia anunciado, em cerimônia no Rio, no mês passado, que o governo trabalharia em políticas de incentivo às indústrias fornecedoras de petróleo. O economista-chefe do Iedi, Edgard Pereira, informa que a projeção de que o setor de petróleo deve representar um quinto do PIB industrial, no início da próxima década, foi feita "numa estimativa conservadora". O cálculo leva em conta que o resto do setor industrial cresceria cerca de 5% ao ano. Segundo ele, essa conta não inclui novas descobertas. Entre 1996 e 2006, o peso do petróleo no PIB setorial já subiu de 7% para 16%.

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