Tupy: minoritários reivindicam oferta pública

Os acionistas minoritários da Tupy travam uma disputa com os controladores da companhia que searrasta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) há mais de cinco anos. Eles reivindicam que a Tupy faça uma oferta pública de compra de ações no mercado, pelo mesmo valor de venda da empresa, em outubro de 1995. A família Schmidt alienou a companhia para o Bradesco e os fundos de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) e Telos (ligado à Embratel).A reclamação foi parar na CVM no mesmo ano da venda, mas a autarquia adiou várias vezes o julgamento do caso. No último adiamento, em 1 de fevereiro passado, a autarquia alegou que os diretores precisavam de mais tempo para avaliar o problema. Segundo a CVM, já foram ouvidas as partes de acusação e defesa, faltando agora somente o parecer final, que deve sair em uma das reuniões do colegiado - sem data definida. O inquérito visa apurar se houve irregularidades na venda do controle acionário da Tupy e no tratamento aos minoritários. A companhia chegou a anunciar uma oferta pública para compra dos papéis em mercado, mas opreço foi considerado baixo por alguns acionistas. Em fevereiro de 1996, a oferta era de R$ 8,44 por lote de mil ações. Joaquim José Bueno, maior acionista minoritário da Tupy, acusa o Bradesco e os fundos de pensão de terem "maquiado" o valor real da empresa para reduzir o preço da oferta pública. Segundo ele, ao assumir a Tupy em 1995, o Bradesco e os fundos sanearam uma das subsidiária da companhia, na área de plásticos, e devolveram essa empresa saneada ao antigo dono, como pagamento pela Tupy. "Os fundos disseram que a Tupy Plásticos valia, na época, R$ 5,9 milhões e usaram esse montante no cálculo da oferta aos minoritários. Mas o valor patrimonial da empresa era de R$ 34,7 milhões", disse Bueno. Dessa forma, afirmou, o preço oferecido pelos papéis não embutia de forma correta o valor da companhia que ficou com os ex-controladores. "A própria CVM percebeu que a oferta tinha irregularidade e suspendeu a operação." Procurados, o Bradesco e o fundo Telos disseram que não vão comentar o assunto até o parecer final da CVM. A Previ também não se manifestou sobre o assunto.De 1995 para cá, os minoritários tiveram apenas uma vitória no caso - obtida na Justiça. Devido a rumores de que o Bradesco e os fundos negociavam a venda da Tupy a uma terceira empresa, Bueno conseguiu uma liminar impedindo aumentos de capital ou a venda da companhia, até que saia uma decisão sobre a transferência de controle ocorrida em 1995. O acionista disse que reuniu outros minoritários para cobrar da empresa e da CVM uma solução mais rápida para o caso. O presidente da Tupy, Mário Egerland, afirmou que só falará sobre o assunto depois que a CVM divulgar sua decisão.

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