Turbinas produzem energia com força da maré em Nova York

Empresa instala equipamentos subaquáticos no East River que mudam de acordo com a corrente

14 de agosto de 2013 | 17h49

NOVA YORK - O East River não é, tecnicamente, um rio: é um estreito de maré que corre entre Manhattan e Queens. Mas é certo que as suas águas podem mover-se como um rio: a corrente pode atingir uma velocidade máxima de mais de seis metros por segundo, o suficiente transformar sério desafio o nado rio acima.

No meio do rio fica a ilha Roosevelt, uma estreita faixa de 150 hectares de terra que serve como base para uma empresa chamada Verdant Power.

A empresa vem há uma década trabalhando para criar um novo tipo de fonte de energia verde - com turbinas subaquáticas que se parecem com ventiladores elétricos gigantes.

"Eles parecem muito com turbinas de vento, exceto que são menores e ficam embaixo d'água", disse Dean Corren, diretor de tecnologia da Verdant, em entrevista à CBS.

A lâmina de um dos rotores quebrou em 2006, no primeiro dia de funcionamento, por causa da forte corrente. Outros modelos foram produzidos e o sistema foi aperfeiçoado.

No ano passado, a companhia testou com sucesso seu mais moderno rotor, composto de fibra de vidro e plástico, com lâminas brancas brilhantes que emergiram intactas após 10 dias funcionando no fundo do rio.

Modelos anteriores abasteceram de energia um supermercado e um estacionamento em Roosevelt Island. O novo modelo possui um diâmetro de rotor de 16 metros que gira a 40 rotações por minuto.

Quando a corrente está em seu pico, a empresa diz que uma única turbina pode gerar energia suficiente para 20 a 30 casas. Nem sempre isso acontece: o fluxo muda quatro vezes ao dia e em alguns momentos as águas quase não se movem.

Energia previsível. Mas a relativa regularidade das marés é um ponto forte da energia da Verdant. "A energia das marés tem a vantagem sobre o vento de ser totalmente previsível", disse Corren à CBS.

A empresa explica que pode garantir qual será exatamente que daqui a dez anos em uma tarde de terça-feira a quantidade de energia que será capaz de fornecer. Isso é muito útil para o planejamento dos sistema elétrico e ajuda a garantir a previsibilidade ao sistema.

As turbinas da Verdant mudam conforme a direção da água, para aproveitar a força da maré não importa a direção que o rio esteja fluindo.

A empresa recebeu a licença da Federal Energy Regulatory Commission para colocar mais duas turbinas no rio este ano ou no próximo. O plano é ampliar a usina e instalar como cerca de 30 turbinas.

A empresa busca uma parceria com a Universidade Cornell para fornecer energia para o campus. A longo prazo, a empresa prevê o colocar turbinas maiores no oceano e vender e energia para a rede da cidade de Nova York.

Ambiente. A empresa gastou milhões de dólares para demonstrar que as turbinas não terão impacto negativo sobre o meio ambiente. As turbinas movem-se lentamente de forma que os peixes possam nadar entre as hélices.

As lâminas também não representam grande ameaça para as aves ou outros animais selvagens e em torno de o rio. As turbinas ficam suficiente fundo para evitar o risco de pegar um eventual nadador, o que é muito raro. Corren explica que ser atingido por uma das lâminas não seria mortal, mas dificilmente seria uma experiência agradável.

Para Corren, que escreveu sua tese sobre mudança climática quando estudante da Universidade de Nova York, há 30 anos época em que pouco se falava sobre o tema - diz que os esforços da Verdant podem ajudar a mudar a forma de geração de energia no futuro.

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