Turbulência externa pode fazer sonho virar pesadelo

Risco de alongar prazos de financiamento é pequeno, mas existe e não pode ser desprezado, diz economista

O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

A febre de alongar os prazos dos financiamentos coloca tanto os bancos como as redes varejistas numa situação mais arriscada, se a crise das hipotecas dos Estados Unidos (subprime) provocar estragos ainda maiores no mercado externo."O principal fator de risco hoje é externo", afirma o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emílio Alfieri. Ele pondera que a perspectiva é de continuidade do cenário favorável no mercado doméstico, com a recuperação do emprego, da renda e crescimento econômico do País, que tornam o consumidor mais confiante para assumir dívidas por um prazo mais longo. Além disso, ao contrário do passado recente, o Brasil tem um volume significativo de reservas para enfrentar ataques especulativos.O risco é pequeno, diz ele, mas existe e não pode ser desprezado. No passado, nas crises da Ásia e da Rússia, lembra, a política monetária foi revertida para conter a fuga de capitais. Os juros subiram da noite para o dia, provocando o aumento dos custos dos financiamentos e da inadimplência.Para Tiziana Dadalto, diretora da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e superintendente da financeira Dacasa, a inadimplência já teve um ligeiro aumento por causa da ampliação dos prazos de pagamento. Na sua empresa, o atraso no pagamento dos financiamentos até 180 dias subiu 1 ponto porcentual, de 10% para 11% dos créditos a receber. "A alta não é tão forte."A saída encontrada pela financeira para continuar enfrentando a concorrência foi manter os prazos longos e fazer campanhas para ensinar o consumidor a se endividar. "Fizemos uma cartilha sobre crédito na qual ensinamos o consumidor a calcular os juros e avaliar se a prestação é compatível com a renda." Apesar do alongamento dos prazos e da ameaça de turbulências do lado externo, o vice-presidente da Associação Nacional das Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, não acredita que a festa do crediário de longo prazo possa acabar de uma hora para outra. O emprego e a renda sustentam esse movimento, diz ele. Para o economista Raul Veloso, no entanto, prazos muito longos não se sustentam e são uma euforia momentânea.

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