Turbulência externa puxa alta do dólar após medidas

A volatilidade dos mercadosinternacionais impulsionou o dólar nesta quinta-feira, com altade cerca de 1 por cento, mesmo com a recuperação das bolsasestrangeiras no final da sessão. Agentes de mercado disseram que as medidas anunciadas navéspera pelo governo para conter a valorização do real tiveramcontribuição muito limitada para a alta da taxa de câmbio. A moeda norte-americana fechou a 1,692 real, com alta de1,08 por cento. Os investidores se assustaram em todo o mundo com o calotede 16,6 bilhões de dólares do fundo norte-americano CarlyleCapital. As bolsas despencaram, a aversão a risco aumentou, e odólar disparou 2,33 por cento no Brasil, acima de 1,71 real. À tarde, as bolsas norte-americanas lideraram a recuperaçãodo mercado com base em uma avaliação otimista da crise decrédito feita pela agência de classificação de risco Standard &Poor's. O ânimo, porém, não contagiou imediatamente os mercadosbrasileiros --a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sóconseguiu sair do território negativo após o fechamento domercado de câmbio. "O mercado seguiu a melhora lá de fora, consequentementereverteu um pouco aqui. Mas a preocupação com o mercado externocontinua", disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio dacorretora Didier Levy. "Teve algumas saídas (de dólares) domercado sim... gente que acabou se desesperando." As medidas do governo, como a tributação do investimentoestrangeiro em renda fixa, tiveram muito pouco efeito. "Issonão deve aliviar absolutamente nada", comentou Reinaldo Bonfim,diretor da Pioneer Corretora. Para Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretoraLiquidez, o único efeito mensurável não vem das medidas em si,mas sim da mudança de postura do governo, que antes nãodefendia uma ação para conter a alta do real. "Isso ficou um pouco mal para o mercado. O governo podetomar medidas de taxação do capital estrangeiro. Hoje é 1,5(por cento), quem sabe depois", perguntou. "Na realidade opessoal está com medo, e o medo gera essa volatilidade." Na metade da sessão, o Banco Central realizou um leilão decompra de dólares no mercado à vista. Na operação, a autoridademonetária aceitou 1 proposta, com taxa de corte a 1,6970 real.

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