Turbulência leva Tesouro a atender ao mercado

O Tesouro Nacional conseguiu refrear a escalada de juros negociados nos mercados futuros por meio de leilões de compra e venda de papéis que realizou nos últimos dias. Acalmou o mercado, mas à custa do afrouxamento da política de colocação de papéis com vencimentos mais longos e taxas prefixadas ou corrigidos pela inflação.

O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2015 | 02h56

Entre dezembro e agosto, segundo o relatório mensal da Dívida Pública Federal, elevou-se de 19,62% para 22,4% (de R$ 428 bilhões para R$ 571,7 bilhões) o estoque de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que acompanham a taxa Selic. O montante de emissões de LFTs continuou aumentando nas últimas semanas, provocando elevação do endividamento em títulos, já próximo de R$ 2,4 trilhões em agosto, e acolhendo a demanda dos investidores, cada vez mais avessos ao risco.

Como resultado, avançou o volume de títulos vencíveis a curto prazo, tornando difícil cumprir as metas do Plano Anual de Financiamento (PAF), que indica os limites mínimos e máximos de colocação de papéis prefixados e corrigidos por índice de preços, taxas flutuantes e câmbio.

O Tesouro continua prometendo cumprir as metas do PAF, mas em agosto o porcentual da dívida com vencimento em até 12 meses já chegou a 25,2%, acima do limite máximo previsto de 25%. Num único mês (agosto) cresceu 2,92 pontos porcentuais, ou R$ 92 bilhões, o peso da dívida curta interna. Os prazos médios da dívida também caíram e o custo subiu de 14,99% ao ano para 15,93% ao ano. Os estrangeiros reduziram sua participação de 19,56% para 19,14%.

Por ter privilegiado a estabilização do mercado, a atuação do Tesouro tem sido essencial. Com a instabilidade econômica e política, cresceu o volume de títulos negociados no mercado secundário, da média diária de R$ 20,39 bilhões em julho para R$ 24,11 bilhões em agosto. Os papéis com taxa prefixada (LTNs) foram os mais negociados, sob a influência das revisões, para cima, das estimativas de inflação para este ano e para 2016, que acentuam a volatilidade das cotações.

Com a instabilidade, os mercados futuros chegaram a negociar juros superiores a 16% ao ano para o vencimento de janeiro de 2017. A taxa recuou para 15,5% ao ano no final da semana passada, enquanto vencimentos mais curtos (janeiro de 2016) caíram para 14,5% ao ano. Operar com vistas à estabilização do mercado no curto prazo continuará sendo o desafio do Tesouro.

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