Turbulência não representa risco sistêmico na Ásia, diz FMI

Fundo descarta crise e aponta para crescimento 8,0% em 2007 e 7,2% em 2008 nos mercados da região

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

19 de outubro de 2007 | 12h01

Os sistemas financeiros na Ásia parecem bem posicionados para lidar com os efeitos da turbulência nos mercados globais, avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI). "A recente turbulência dos mercados não deve representar risco sistêmico aos mercados financeiros da Ásia", prevê o Relatório Econômico Regional para a Ásia Pacífico.   "A região tem uma exposição direta relativamente pequena ao subprime, alavancagem e complexos produtos de crédito estruturado." No entanto, embora a região tenha sido menos afetada pelo tremor, não está totalmente imune, reconhece o Fundo no relatório. No entanto, o documento reconhece a possibilidade de o estresse no mercado financeiro se transformar em uma desaceleração mais acentuada do que a esperada das exportações, mas pondera que esse quadro é compensado pelo crescimento da China e Índia.   Segundo o Fundo, a região tem sido menos afetada que EUA e Europa pelo tremor financeiro, porque não foi o epicentro da turbulência recente. O documento do FMI estima que o cenário futuro permanece favorável para a Ásia Pacífico e acrescenta que os mercados financeiros asiáticos praticamente recuperaram grande parte das perdas que acumularam durante o mês de agosto.   O FMI prevê crescimento da Ásia em 8,0% em 2007 e 7,2% em 2008. Na primeira metade do ano, o Fundo observou que o crescimento mais robusto do que o esperado na China e Índia continuou sendo alavancado por investimentos.   O crescimento na Ásia emergente deverá ficar em 9,4% neste ano e 8,5% em 2008, prevê o relatório regional do Fundo. No levantamento mais amplo Perspectiva Econômica Mundial, divulgado na quinta, a projeção do FMI para a região da Ásia emergente era diferente: crescimento de 9,2% neste ano e de 8,3% em 2008.   Crédito e alimentos   O FMI toma como base um cenário de restauração de condições mais normais de crédito, "embora spreads mais elevados para créditos mais arriscados devam persistir". "Um retorno gradual do apetite de risco indicaria um retorno no fluxo de capital para a região", estima.   "O crescimento da Índia parece estar em ritmo sólido e a confiança permanece elevada", diz o Fundo. Na primeira metade de 2007, o crescimento na região "excedeu as expectativas", acrescenta. A China deve avançar 11,5% em 2007 e 10% em 2008, enquanto a Índia deve crescer 8,9 em 2007 e 8,4% em 2008.   O FMI avalia que as pressões de inflação, no geral, permanecem amplamente contidas na Ásia emergente, mas pondera que os preços de alimentos têm adicionado volatilidade aos números cheios. As ocorrências no mercado de commodities também afetam os preços de alimentos na Ásia, mas o petróleo não tem sido um fator pesando sobre a inflação da região até agora em 2007, estima o Relatório Econômico Regional para a Ásia Pacífico.   "A China viu a inflação de preços de alimentos alcançar 18% em agosto, com o índice cheio tendo a maior alta em 10 anos", diz o Fundo. De acordo com o FMI, o avanço do índice é derivado da carne de porco e preços de ovos, que refletem fatores da oferta e não devem ter efeitos secundários. Na Índia, os preços também estão subindo, mas "o núcleo está bem comportado", diz o Fundo. No entanto, o relatório indica que os preços de alimentos contribuíram para uma inflação cheia mais volátil em alguns países.   Políticas fiscais   "Pressão de preços precisará ser equilibrada ante riscos ao crescimento, e diversos países na região parecem ter espaço para maior flexibilização se necessário nas políticas fiscal e monetária", prevê o relatório . No entanto, "a China, em particular, precisa elevar o custo real do capital por meio de juros maiores e preços menores de bens transacionáveis por meio de uma moeda mais apreciada", prevê.   As expectativas de inflação estão contidas na região, "sugerindo espaço para maior ação da política monetária se necessário". Os BCs e governos devem ser confrontados com diversos desafios, como pressão de preços e incerteza na direção de fluxos de capital. Por outro lado, o risco de aquecimento excessivo é um problema para alguns países se os riscos ao crescimento não se materializarem.   O Fundo destaca que entrada menor de capital, ou saída deles, pode representar dificuldades para financiar o déficit de conta corrente de alguns países asiáticos. Em outros casos, avalia que uma modesta redução nas pressões de câmbio poderia ser uma ocorrência favorável. "Os formuladores de políticas deveriam continuar pragmáticos e permitir maior flexibilidade do câmbio e limitar intervenção", disse.   O Fundo enumera que os principais riscos à região são a persistência da turbulência conduzindo a crescimento muito mais lento dos EUA e zona do euro, contaminando a Ásia, e instituições financeiras com problemas de balanços e tensões geopolíticas, criando elevação do preço do petróleo e pressão de inflação.   Câmbio e capital   O FMI considera que a posição externa confortável e grande estoque de reservas externas da Ásia devem atuar como uma importante proteção diante de qualquer choque severo. Embora possam aparecer novas vulnerabilidades, "a região é mais resiliente do que há 10 anos", pondera. Dez anos depois da crise da Ásia, acrescenta o FMI, a região é uma das mais dinâmicas do mundo e responde por quase metade do crescimento global.   À frente, um dos desafios à região será lidar com a contínua entrada de capital estrangeiro, incluindo flexibilização da taxa de câmbio e passos para liberalizar ainda mais as saídas de fluxos. Para o Fundo, a conversas sobre "descolamento" da região ante os EUA são "prematuras", uma vez que a Ásia permanece dependente da demanda externa. Por isso, pondera o Fundo, um rebalanceamento parece mais necessário que nunca.   Com relação às lições derivadas da crise da Ásia, o FMI destaca "que a região reduziu as vulnerabilidades, com câmbios flexíveis, desalavancagem, diminuição de financiamentos em moeda estrangeira feitos sem proteção e melhora na transparência e governança de instituições financeiras.

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