Turbulência pode elevar inflação, diz diretor do BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, admitiu que se as turbulências vividas atualmente pelo mercado financeiro se prolongarem além do imaginado pelo governo, a inflação de 2002 poderá ultrapassar a projeção feita pelo BC para a variação do IPCA este ano. A Autoridade Monetária estima que a inflação este ano será de 5,5%, ou seja, o teto da banda definida para 2002. O prolongamento das incertezas também poderia afetar a projeção para inflação de 2003. No relatório de inflação divulgado esta manhã, há um trecho onde essa hipótese está claramente explicitada. "Na medida em que persistir a incerteza em relação ao futuro da economia do País e a conjuntura adversa recente caracterizada por depreciações acentuadas dos preços de ativos e da taxa de câmbio corre-se o risco de aumento das projeções de inflação para 2002 e 2003", afirmam os diretores do BC no documento.Goldfajn ressaltou, entretanto, que o Banco Central não acredita que essas turbulências sejam mantidas por um longo período. "Não acredito na hipótese de que está escrito nas estrelas que essas turbulências irão se prolongar", disse. O diretor lembrou que da mesma maneira que existe a possibilidade de um prolongamento do atual clima de nervosismo no mercado, existe também a hipótese do cenário registrar uma melhora o que permitirá a redução dos juros e, consequentemente, um efeito benéfico para a inflação de 2002.

Agencia Estado,

28 de junho de 2002 | 12h26

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