Turbulência política ajuda a explicar queda do PIB no 3º trimestre

IBGE cita a crise política e diz que retração da economia foi 'generalizada'; paralisação da Samarco, após a tragédia ambiental em Minas Gerais, deve afetar o PIB do 4º trimestre

Daniela Amorim, Idiana Tomazelli, Mariana Durão e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

01 de dezembro de 2015 | 12h06

RIO - As turbulências política e econômica afetaram o desempenho da economia no terceiro trimestre, afirmou a gerente da Coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Claudia Dionísio. "A turbulência política tem impacto. Só não temos como mensurar quanto foi", diz. O IBGE não trabalha com o conceito de recessão, mas Claudia reconhece que os indicadores ficaram mais negativos. "A retração foi maior e generalizada."

O instituto também evita fazer comentários sobre o desempenho da economia no ano como um todo, pois ainda não tem os dados completos do quarto trimestre, mas Claudia admite que é esperado que a paralisação da mineradora Samarco, após a tragédia em Mariana (MG), afete o PIB da indústria extrativa. O setor foi exatamente o que teve o melhor desempenho no terceiro trimestre, pela ótica da oferta, com crescimento de 4,2% ante 2014. 

Mais cedo, o IBGE divulgou que a economia brasileira encolheu 1,7% entre julho e setembro, na terceira queda consecutiva ante o trimestre anterior. É a recessão mais longa desde a década de 1990, quando o PIB caiu por quarto trimestres seguidos. A queda também configura o pior resultado para um terceiro trimestre desde o início da série história do IBGE, em 1996.

O instituto destacou, ainda, que o recuo de 3,1% na indústria da Transformação no terceiro trimestre foi o principal responsável pela queda de 1,3% do PIB da indústria. "Foi a maior queda (dentro do setor)", apontou Claudia. O resultado geral só não foi pior porque houve avanço na produção e distribuição de eletricidade, gás e água. Ainda dentro do PIB industrial, a construção civil registrou recuo de 0,5% ante o segundo trimestre.

Consumo. Já a queda de 4,5% do consumo das famílias no terceiro trimestre ante 2014 refletiu um conjunto de fatores, como a deterioração dos indicadores de emprego e renda, a restrição do crédito, os juros altos e a inflação. "Temos queda real na oferta de crédito e alta nos juros, o que torna o consumo mais difícil", disse Claudia.

O crescimento nominal no saldo das operações de crédito para pessoas físicas no período foi de 4,4%. No entanto em termos reais, isto é, descontada a inflação, houve queda. 

 

Ao mesmo tempo, a taxa Selic atingiu no terceiro trimestre o patamar de 14% ao ano, contra 10,9% no mesmo período de 2014, uma alta expressiva. Isso se somou a uma inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 9,5% no trimestre, indicador que rodava a 6,6% no terceiro trimestre do ano passado.

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