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Turbulência política faz CNI diminuir expectativa para o PIB em 2017

Entidade revisou projeção para o PIB de 0,5% para 0,3% e a de inflação de 4,2% para 3,6%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 12h33

BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) advertiu nesta sexta-feira, 7, em seu Informe Conjuntural, que as incertezas políticas, o atraso no encaminhamento das reformas e o risco de o País não consolidar o ajuste fiscal são fatores que ameaçam a retomada do crescimento. No Informe Conjuntural da entidade, as projeções para atividade econômica em 2017 foram revisadas.

A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 passou de 0,5% para 0,3%. No caso específico do PIB industrial, a estimativa de crescimento foi de 1,3% para 0,5%. Já a projeção para a alta do consumo das famílias passou de 0,2% para 0,1%.

Para a entidade, "a confiança dos agentes - empresários e consumidores - foi afetada, interrompendo a tendência de recuperação, com possíveis impactos nas decisões futuras de consumo e investimentos". A CNI citou ainda que sinalizações recentes do Banco Central apontam que o ritmo de queda da Selic (a taxa básica de juros da economia) pode ser reduzido em função do novo quadro político. "A minimização dos efeitos das turbulências sobre a agenda de reformas é crítica para a trajetória de recuperação da economia", defende a confederação.

++ Inflação tem primeiro resultado negativo para um mês em 11 anos

Para a CNI, o andamento da reforma trabalhista pode ser um "ponto de inflexão". Porém, é a reforma da previdência a "questão crítica", na visão da entidade. "A limitação imposta pela chamada "PEC do teto do gasto" é por si insuficiente para o equilíbrio fiscal, pois o Estado não dispõe de mecanismos efetivos de redução do gasto em relação ao PIB", diz a CNI. "Reformar a previdência, que é o principal fator gerador do déficit público, é essencial para esse equilíbrio."

Os cálculos da CNI indicam ainda que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), antes projetada em 2,0%, deve fechar 2017 com -2,7%. Por sua vez, a taxa de desemprego para o fim do ano, antes prevista em 13,3%, agora é calculada em 13,5%. 

A CNI manteve sua projeção para o déficit primário de 2017, em 2,1% do PIB. Mas a perspectiva para a dívida bruta no fim do ano foi de 73,5% para 74,3% do PIB. 

A projeção para a inflação em 2017 foi de 4,2% para 3,6%. Já a projeção para a Selic (a taxa básica de juros da economia) no fim de 2017 seguiu em 8,5% ao ano.

++ Promessas do governo para aprovar a reforma trabalhista

De acordo com a entidade, a economia brasileira indica sinais de recuperação, após dois anos de forte recessão. "Esse movimento, de início apenas moderado, é oriundo dos estímulos vindos principalmente da agropecuária e do setor externo da economia. Os efeitos multiplicadores sobre os demais segmentos da economia devem vir em seguida", defendeu a entidade. 

Essas mudanças nas projeções de crescimento já ocorrem sob o impacto da crise política, deflagrada em meados de maio. As delações de executivos da JBS, que colocam em xeque o governo Michel Temer, têm provocado mudanças nas estimativas para o PIB também no mercado financeiro.

Queda nos investimentos. O gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirmouao Broadcast que a queda na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi o principal fator para a redução nas projeções da entidade para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. Segundo ele, a economia está pronta para reagir, mas há altos níveis de ociosidade na indústria e, em especial, no setor de construção, responsável por cerca de 60% da FBCF. 

"A recuperação que esperávamos não está sendo sinalizada mais", pontuou Castelo Branco. "Os projetos de infraestrutura ainda não demonstraram força. E ainda não há reação da construção na área imobiliária. Temos que lembrar que o programa 'Minha Casa, Minha Vida' tem sido reduzido em termos de desembolso."  

 Segundo ele, a agenda de recuperação também está mais lenta, "muito dependente da reforma da Previdência". "A questão política mais recente traz um receio quanto ao andamento da reforma", disse.    

++ Para Ipea, investimento ainda não mostra recuperação

Para Castelo Branco, a crise política ainda não contaminou a economia de forma expressiva. "Talvez a confiança do empresário industrial tenha deixado de mostrar recuperação, mas a crise ainda não desidratou a recuperação", pontuou. Este risco, porém, existe.  

 De acordo com Castelo Branco, mais do que a mudança ou não do atual governo, encabeçado por Michel Temer, a preocupação principal é com o andamento das reformas no Congresso - em especial, a da Previdência. "Pelo lado econômico, a economia está pronta para crescer. A questão é o fiscal", disse.

 Questionado a respeito do impacto de um adiamento, para 2019, da reforma da Previdência, Castelo Branco afirmou que "uma frustração grande pode, sem dúvida, afetar a visão dos investidores e dificultar o processo de recuperação do investimento".

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