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Turbulência volta a pesar e dólar supera R$2

Moeda norte-americana fechou a R$ 2,0030, em alta de 2,67% em relação aos últimos negócios de segunda

Reuters,

28 de agosto de 2007 | 16h21

O dólar subiu mais de 2,5% por cento e voltou a superar os R$ 2 nesta terça-feira, em meio ao reaquecimento da turbulência nos mercados com a apreensão sobre as condições de crédito e liquidez globais. A moeda norte-americana fechou a R$ 2,0030, em alta de 2,67% em relação aos últimos negócios de segunda-feira.   Veja também: Dados dos EUA puxam alta dos mercados asiáticos A cronologia da crise financeira  Como enfrentar os riscos e prejuízos da crise  Entenda a crise e veja a opinião do governo e de especialistas    A preocupação com as perdas associadas ao setor de crédito de alto risco nos Estados Unidos manteve as bolsas de valores em queda desde o começo da sessão, impulsionando o dólar. "O mercado ultimamente não tem nenhuma coerência com fundamentos... Está muito ligado ao mercado externo", disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper.    A arrancada final ocorreu após a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve. O documento mostra que, naquele encontro, o banco central norte-americano reconhecia que as condições do mercado financeiro poderiam piorar, exigindo a adoção de medidas de política monetária.   O mercado de ações brasileiro acompanhou o desempenho negativo das Bolsas de Nova York, que reagem ao resultado do índice do nível de confiança do consumidor norte-americano. O dado mostrou que a confiança sofreu a maior deterioração desde a passagem do furacão Katrina pelos EUA - de 111,9 pontos para 105 pontos.   A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera nos patamares mínimos desta terça-feira no final da tarde. Às 16h40, o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - está em 51.454 pontos, em baixa de 3,06%.   As bolsas norte-americanas têm um segundo dia seguido de perdas em Nova York, refletindo o resultado desfavorável do índice de confiança dos consumidores em agosto. Além disso, o rebaixamento da recomendação pelo banco de investimentos Merrill Lynch para as ações do Citigroup Inc., Lehman Brothers Holdings Inc. e Bear Stearns também era apontado como um fator de pressão sobre as ações. O Dow Jones - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas - cai 1,93%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - recua 2,11%.   Na Europa, as bolsas fecham em queda. Em Londres, a queda foi de 1,90%. Em Frankfurt, a baixa foi de 0,74%.   As preocupações dos investidores estão concentradas nesta terça em tentar avaliar quais as próximas instituições financeiras a anunciarem perdas por causa de sua exposição ao mercado imobiliário de risco (subprime) . As ações do Barclays caíram mais de 1,5% nesta manhã após o jornal Financial Times ter noticiado que o braço de investimentos do banco britânico tem uma exposição de centenas de milhões de dólares a veículos de crédito com problemas através do banco alemão Sachsen LB.   Segundo o FT, o Barclays criou uma unidade, conhecida como SIV - Lite, para o Sachsen LB in maio passado, com ativos de cerca de US$ 3 bilhões, sendo boa parte dessa quantia vinculada a hipotecas subprime e prime dos Estados Unidos. Mas um porta-voz do Barclays negou que o banco tenha oferecido esse financiamento.   Ações de outros bancos europeus também estão sendo penalizadas nesta manhã. "Todo mundo desconfia que por um longo período, dia sim, dia não, teremos noticias negativas relacionadas às perdas de bancos e fundos por causa do subprime", disse um estrategista de um banco espanhol. "O temor é que essas perdas se transformem num problema mais grave para o setor financeiro em geral."   Economia real   Além das preocupações com a exposição de bancos e fundos ao setor subprime, investidores continuam temendo o impacto dessa crise sobre a economia real. "A dificuldade com a situação atual é que o impacto real dos problemas no mercado de crédito ocorridos no mês passado vai demorar meses para emergir", disse Adrian Schmidt, economista do Royal Bank of Scotland.   "Embora algumas pesquisas de confiança mostrarão alguma fraqueza real em agosto, vai levar tempo para que os indicadores concretos exibirem um enfraquecimento concreto. "Segundo ele, isso deve começar ocorrer apenas no final de setembro ou outubro.   Na agenda desta terça, um dos destaques é a divulgação da ata da última reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (FOMC), realizada no dia 7 de agosto. "A ata deve refletir o aumento da preocupação com as condições nos mercados financeiros e incluir uma discussão sobre as implicações para o crescimento econômico", disse Peter Redward, do banco Barclays Capital. "No que diz respeito à inflação, a ata deve também revelar algum desconforto com as revisões altistas para os custos salariais, bem como com a taxa de desemprego".   Para os estrategistas do banco WestLB, o dado importante do dia será o índice de confiança do consumidor do Conference Board. "A crise do subprime deve ter deixado sua marca no ambiente para o consumo", afirmaram. "A ata do FOMC vai atrair muito menos interesse desta vez pois a avaliação que ela contém foi atropelada pelos eventos em torno da crise subprime."

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