Turismo se recupera e dá sinais positivos na Argentina

Os ainda questionados benefícios da desvalorização do peso parecem dar os primeiros sinais no setor turístico. A temporada de inverno promete ser muito boa para vários destinos que possuem centros de esqui, como Las Leñas, Chapelco e o morro Catedral, a região Noroeste e a histórica Misiones. A secretaria de Turismo projeta um aumento de 20% a 25% de turistas, em comparação com a temporada do ano passado, que contou com 5,5 milhões de pessoas. A secretaria de Turismo espera não só os estrangeiros, com destaques para os brasileiros e os chilenos, mas principalmente os argentinos.Com a crise, os argentinos fizeram as contas e resolveram trocar o Caribe, o Brasil e a Europa pelo turismo interno que sai mais barato. Estas serão as primeiras férias após a desvalorização e segundo estimativas da secretaria de Turismo, haverá uma mudança radical no hábito dos argentinos de viajar para o exterior. Desta vez, os argentinos viajarão pelo próprio país, conforme prevêem os empresários do setor, como o presidente da Federação dos Empresários Hoteleiros e Gastronômicos, Oscar Ghessi. "As pessoas que estavam acostumavam a buscar o calor do Caribe e do Brasil no inverno devem optar por desfrutar a neve", disse Ghessi.BrasilocheOs meses de julho e agosto prometem aos centros de esqui, mas o empresário não acredita que haverá algum fenômeno de ?explosão? do turismo. Segundo as estatísticas de sua federação, as viagens dos argentinos ao exterior caíram 59%, comparando o primeiro trimestre de 2002 com igual período de 2001. Porém, também caíram em 29% a chegada de estrangeiros ao país. No entanto, basta passear pela rua Florida para ouvir que o idioma oficial do lugar é o português. Os brasileiros voltaram o colorir o calçadão da rua portenha preferida dos consumidores que têm hoje um real um pouco mais forte do que o peso.Até antes da desvalorização do peso, os brasileiros invadiam a rua Florida, o shopping Galerias Pacífico e os restaurantes de Puerto Madero e da Recoleta. Quando o real caiu, os turistas brasileiros desapareceram de Buenos Aires e de Bariloche, que ganhou o apelido de Brasiloche, devido ao grande número de brasileiros em seus morros durante as férias de inverno. Agora, com a desvalorização do peso, o real voltou a ter valor neste lado do Rio da Prata e os vendedores consideram os brasileiros como os "melhores compradores".O setor de turismo na Argentina é tão promissor que um grupo de empresários dos Estados Unidos analisa a possibilidade de vender aos norte-americanos pacotes turísticos para visitar a Argentina. O grupo da empresa Dallas Forth World Tour (DFW), com sede em Dallas (Texas), já visitou Misiones, em especial as Cataratas, e agora, segundo a secretaria de Turismo, visitou cidades da região patagônica, como os Glaciares e a Península Valdés, o paraíso das baleias austrais. Os empresários ficaram na Argentina até 9 de julho para incrementar o tráfico de turistas norte-americanos.VôosAlém disso, a companhia aérea American Airlines pensa em lançar um vôo direto de Dallas para Argentina. As empresas aéreas que operam na Argentina estão pensando em aumentar as freqüências de seus vôos com destino aos centros de esqui e à região da Patagônia. Pensam em colocar mais vôos saindo do Brasil e do Chile até estas regiões. É o caso da empresa Southern Winds (SC), que já tem em estudo um diagrama de vôo direto de Santiago à Bariloche. Desde o inicio de outono, a empresa registrou um aumento de 30% de passageiros.A Aerolíneas Argentinas também estuda o aumento de seus vôos para atender principalmente os turistas brasileiros, chilenos e uruguaios. Os vôos especiais começaram no dia 29 de junho e vão até o dia 17 de agosto, entre São Paulo e Las Leñas (Mendoza). A freqüência é semanal, com capacidade para 153 passageiros. Já a partir de amanhã, dia 13, haverá um Boing 737 com capacidade para 107 passageiros de Buenos Aires a Las Leñas. Aerolíneas está com vôos charter São Paulo-Bariloche, também aos sábados, até o dia 3 de agosto.Em Las Leñas se espera um mês de julho com 100% da rede hoteleira completa, já que a neve atinge o nível ideal para o esqui. Se estima que 90% do público seja de argentinos e o restante de brasileiros, cerca de 200 por semana, chilenos e norte-americanos. Em San Martín de los Andes, no morro Chapelco, e em Bariloche, a expectativa é igual à de Las Leñas, com a diferença que há mais europeus e a temporada se prolongará até setembro. Em Salta, as expectativas são excelentes para a zona dos Valles Calchaquíes e Salta capital.Muitos turistas são esperados em Buenos Aires, Córdoba, Rosário e outras localidades do interior do país. Os estrangeiros deverão viajar entre agosto e setembro para esta região. Para Misiones, nas Cataratas do Iguaçu, as reservas já atingem 80% nesta primeira semana de julho e 95% na segunda semana, sendo que 80% destas são de argentinos, e o restante está dividido entre uruguaios, brasileiros e chilenos. Córdoba é outro destino turístico com 50% das reservas ocupadas.ShoppingsAs vendas em shoppings e no comércio em geral estão sendo salvas graças aos turistas. Segundo dados do INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos), em maio os grandes centros de compra registraram uma queda de 11,7% em suas vendas em relação ao mesmo mês do ano passado. Porém, os comerciantes afirmam que esta tendência começou a reverter-se nas últimas semanas com a chegada dos consumidores brasileiros, chilenos e uruguaios. De acordo com declarações do gerente de marketing dos quatro maiores shopping centers de Buenos Aires, Daniel Elsztain, "as vendas nestas três últimas semanas aumentaram entre 12% a 15%, comparando com o ano passado", quando a conversibilidade ainda era vigente no país e o real tinha muito menor poder de compra. Nos dois shoppings mais conhecidos pelos turistas, a porcentagem de aumento nas vendas aos subiu para 30%. A aposta nos turistas é tanta que um dos shoppings mandou imprimir 200 mil mapas de Buenos Aires com destaques para a localização de seus centros de compra, e fechou um acordo com os hotéis mais procurados para que o traslado à estes shoppings seja gratuito.Leia o especial

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