Turistas brasileiros têm o maior gasto no exterior desde 1947

Gasto de US$ 1,58 bilhão em setembro bateu novo recorde e cresceu 50% na comparação com o mesmo mês de 2009

Fabio Graner, Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Mesmo sem férias escolares e ainda longe do descanso do fim do ano, setembro terminou com novo recorde na conta de viagens internacionais. No mês passado, turistas brasileiros gastaram US$ 1,58 bilhão em outros países, maior valor mensal desde o início da série, em 1947. Descontada a receita com estrangeiros em visita ao Brasil, a conta turismo fechou setembro com déficit de US$ 1,12 bilhão, também novo recorde. Em outubro, até ontem, a conta já acumula saldo negativo de US$ 951 milhões.

"O emprego aquecido e a renda em alta explicam esse resultado tão forte. São fatores que estão presentes na economia brasileira e não devem se alterar no horizonte próximo", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao apresentar os dados e comentar a saída crescente de brasileiros. Na comparação com setembro de 2009, o gasto de brasileiros no exterior saltou exatos 50%, já que há um ano as despesas somavam pouco mais de US$ 1 bilhão.

De todas as despesas feitas no exterior no mês passado, 61% - ou US$ 965 milhões - foram pagas no cartão de crédito. O dinheiro de plástico tem sido o principal responsável pela elevação de gastos: em setembro, o total de despesas em dólar no cartão cresceu 56,7%, comparado ao mesmo mês do ano passado.

Outro aumento significativo veio da conta turismo, que concentra pagamentos em dinheiro, cheque e transferência bancária diretamente às agências de turismo e hotéis. Nesse caso, foram pagos US$ 559 milhões no mês passado - 35% de todas as despesas nas viagens internacionais.

Mais rombo. Em ritmo menor, o volume pago por empresas nas viagens a negócios cresceu 28,8% em 12 meses, para US$ 44,3 milhões. Em setembro, também houve gastos de US$ 5 milhões em viagens a trabalho de funcionários do governo, US$ 3,3 milhões em turismo educacional - como intercâmbio estudantil - e US$ 2,1 milhões em viagens para tratamento de saúde.

O diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme, acredita que o rombo da conta de viagens internacionais deve crescer ainda mais nos próximos meses. "No fim do ano, o déficit vai ficar ainda mais claro. O dólar está muito convidativo e os preços, em real, cada vez menores para o brasileiro. Hoje, é mais barato ir para Miami que ir de São Paulo para muitas cidades do Nordeste", diz Nehme.

Enquanto as despesas de brasileiros no exterior crescem 50%, as receitas avançam em ritmo muito menor. Em um ano, a receita com estrangeiros em viagem ao Brasil cresceu 13% e somou US$ 454 milhões em setembro. A diferença de ritmo para o gasto dos brasileiros é explicada pela situação econômica dos principais países de origem dos visitantes, como Europa e Estados Unidos, que ainda não saíram da crise. / F.N. e F.G

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